Prossegue polémica em torno do caso dos 50 cães retirados de uma casa

Cláudia Ornelas

A notícia foi avançada ontem e tem estado a dar que falar. A 'Associação Ajuda a Alimentar Cães' recorreu uma vez mais às redes sociais, para dar resposta ao comunicado divulgado esta tarde pela Câmara Municipal de Câmara de Lobos.

“A Associação Ajuda a Alimentar Cães repudia veementemente as mentiras e as meias verdades transmitidas no comunicado da Câmara Municipal de Câmara de Lobos e irá responder ao mesmo no tempo e instâncias próprias se tal se revelar necessário”, pode ler-se na publicação.

Em relação ao comunicado da autarquia em questão, este informa que a referida associação “solicitou apoio para a esterilização de 20 animais alojados” na referida habitação, que foi concedido pela autarquia, que atribuiu uma verba de 1.500 euros que foi recusado pela própria associação. Por seu lado, a associação refere que não quis aceitar o dinheiro porque os animais foram retirados do local.

Quanto à declaração da autarquia que refere que a “recolha dos cães existentes na habitação foi efetuada diretamente pelos elementos da associação”, com exceção de um cão que apresentava sinais de agressividade, a associação responde que “não é verdade que tenham sido só os elementos da associação a colocar os animais nos meios de transporte”. Acrescenta que o transporte foi feito em carrinhas “sem as condições legais exigidas o que constitui uma contra-ordenação e por este motivo muitos deles chegaram feridos às instalações da SPAD”.

Também a presidente da ANIMAD comentou esta situação. Ao JM, Natália Vieira critica a atuação de ambas as partes, às quais acusa de “falta de sensibilidade”. Relativamente à 'Associação Ajuda a Alimentar Cães', Natália Vieira refere que “há falta de maturidade nas pessoas” e acrescenta que é “falta de ética andar a mostrar a pobreza extrema das famílias”. Critica também as imagens partilhadas dos animais “cheios de sangue”.

Quanto ao papel da Câmara Municipal de Câmara de Lobos a ANIMAD afirma que a sua função deveria ser melhorar as infraestruturas das pessoas da habitação, que cuidam dos animais por serem “sensíveis à causa” e para resolver um problema que durante anos e anos as autarquias não fizeram. “Não é chegar lá e agarrar nos bichos, como se fossem sacos de batatas”, refere Natália Vieira que acrescenta que existe falta de formação por parte das entidades responsáveis.

A presidente da ANIMAD dirige também uma palavra à SPAD afirmando que “fazer protocolos com as Câmaras Municipais é fazer pactos com o diabo”. Refere que o “único objetivo das autarquias é limpar as ruas”.

Natália Vieira disse também que a ANIMAD não tem protocolos com as Câmaras porque trabalha em qualquer parte da ilha. “O nosso telefone está constantemente ligado”, afirma a presidente, acusando também o 'Canil do Funchal' de não atender as chamas telefónicas para prestar socorro aos animais.