Sentença dos Compadres com recados políticos e da atualidade

Sofia Lacerda

Os compadres foram hoje julgados em Santana, numa sátira que, durante sensivelmente uma hora, parodiou variados temas da atualidade regional e nacional, desde a política à religião, e nem o JM “escapou” à brincadeira.

Naquele que foi um dos momentos mais esperados das festividades deste concelho, o juiz teve como réus deste “teatro” o Compadre Jodé, Maria, Valquíria e António.

Feitas as apresentações iniciais, Maria começou logo por ser “confundida” com uma artista bem conhecida, «a escanzelada da Maria Leal».

A conversa não tardou a “descambar” para a política, com a “bilhardice” de que «a presidente da Junta de Freguesia do Arco de São Jorge vai virar a casaca para o CDS. Ela, pelo menos, não tem medo da renovação», disseram.

A reação não se fez esperar por parte do Compadre Jodé, que logo respondeu não se admirar «nada que ela vire a casaca». «Mesmo, o CDS agora, depois que ficou sem portas, parece que só está metendo ar encanado».

Os réus continuaram a comentar os assuntos mais recentes do concelho, lembrando que «um compadre que mandava aqui no Parque Temático foi posto a andar, porque não dava conta do recado. Agora está nos Bordados, deve ser para aprender a fazer ponto cruz», avançaram.

E se dúvidas houvesse sobre a razão da mudança na liderança do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, Maria esclareceu, prontamente, que tiraram Paula Cabaço «se calhar, porque ela não tinha o cartão do PPD, como o que mandava nas Florestas, que foi posto a andar».

“Embalados” pela conversa das florestas e das serras, o Compadre Jodé adiantou que a «Câmara de Santa Cruz agora quer ficar com as serras todas, está fazendo uma escritura do “uso um campeão” (usucapião) para ficar com as serras e cobrar a taxa, que agora é preciso pagar para ir à serra».

E por falar em pagar, nem o JM escapou ao sarcasmo. «Um euro dá para muita coisa nesta terra. Dá para comprar o JM, já que o leilão ficou sem licitações».

O mesmo não aconteceu ao Golden Gate, acrescentaram. «Não faltaram licitadores nesse negócio e parece que custou cerca de cinco milhões de euros».

«Cinco milhões?», perguntou um dos réus, preocupado: «já se está vendo quanto é que vai custar uma bica lá!».

E à medida que o julgamento ia prosseguindo, os réus manifestaram alguma insatisfação com a atuação do juiz. Maria disse mesmo que ia fazer queixa dele ao deputado Coelho, ainda que a tenham lembrado de que ela teria que ir «ao Molhe da Pontinha, porque ele está exilado politicamente».

Ainda assim, também houve tempo para elogios, principalmente ao líder do PS-Madeira, Carlos Pereira, «que tem lutado pelo desenvolvimento da Madeira», frisaram.

«Aliás, foi graças a ele que o Governo da República arranjou 50% do orçamento para a construção do novo hospital, agora só faltam os outros 50%», mencionaram.

Mais uma vez, o Compadre Jodé tinha a solução. «Se já vem 50%, a gente não precisa de dar mais 50%. Faz-se 50% de um hospital, assim tipo meia dose», rematou.