“Arquitectura para o Ensino” em foco no Baltazar Dias

No próximo dia 21 outubro, pelas 14h00, irá realizar-se no Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal, a conferência internacional “Arquitectura para o Ensino”.

A conferência, dedicada a apresentar e discutir a mais recente arquitectura escolar e sua relação com a educação e cidadania, é organizada pela Delegação da Madeira da Ordem dos Arquitetos, contando com a presença de alguns dos mais reputados arquitetos que se têm dedicado a desenhar escolas e outros edifícios destinados ao ensino.

Discutir-se-á a qualidade dos espaços onde crianças e jovens aprendem, estudam e convidem, analisando-se vários projetos recentes de escolas, nacionais e internacionais; contanto com a participação de professores, educadores, pais e alunos, decisores políticos e todos os interessados no ensino e nos seus problemas.

Neste contexto, o arquitecto Pedro Machado Costa [Machado Costa / Murer / Ferreira Neto, Arquitectos Associados] irá apresentar o projecto da Escola Secundária Luís de Freitas Branco, em Paço d’Arcos. No evento estará igualmente presente o arquiteto madeirense Luís Ferreira Neto.

Recorde-se que a Escola Luís de Freitas Branco é um projecto que recupera um complexo escolar do final da década de 70, que se encontrava em elevado estado de degradação física, com graves problemas sociais e educativos.

Sem pôr em causa a estrutura original da escola – que, em parte, é mantida – o projecto põe em marcha uma profunda transformação dos espaços, propondo o desenvolvimento um modelo cívico e educativo alternativo, misto e altamente flexível, onde coexistem o ensino tradicional e o ensino técnico-profissional.

A nova escola é desenhada de modo a proporcionar lugares de encontro, capazes de serem apropriados e usados simultaneamente por alunos, professores e a população de Paço d’Arcos.

Nela coexistem espaços destinados ao ensino com áreas de convívio, mas também espaços culturais, equipamentos desportivos e até serviços, usados pelos habitantes da zona.

As alterações introduzidas na Escola alteram radicalmente o sucesso do percurso escolar dos seus alunos, reforçando a sua relação com o tecido social e económico da região.

Hoje, a Escola Luís de Freitas Branco é uma instituição procurada por alunos de toda a área metropolitana de Lisboa, com uma ampla oferta de ensino, adaptada ao perfil dos que nela decidem estudar.

Este sucesso em muito se deve à forma como o espaço escolar é repensado. Ao invés de se delinear um programa funcional tradicional, a Escola é composta por um conjunto de espaços abertos, flexíveis e adaptáveis às mudanças da própria instituição.

Ao contrário do usual, a escola oferece espaços de grande nobreza, inclusivos, reforçando a relação e o convívio entre os vários utentes. As salas de informática são abertas para o exterior, tal como os atelier e os laboratórios. A biblioteca torna-se o centro de toda a atividade escolar, permitindo a realização de eventos, debates ou conferências. O átrio da escola – um espaço de grande dimensão – torna-se o local de encontro de todos, sendo simultaneamente o recreio, um auditório [onde se realizam concertos, festas ou peças de teatro], um espaço de convívio e de trabalho. Existem ainda oficinas e áreas para worshops, onde os alunos desenvolvem actividades que servem a população de Paço d’Arcos.

Mais importante que tudo isto é, porém, a inversão do processo de declínio da comunidade escolar. Hoje, a Escola Luís de Freitas Branco é considerada um modelo educativo e de cidadania, alterando profundamente o modo com que a comunidade se relaciona com o espaço escolar.

Recentemente, foi atribuído à Escola Luís de Freitas Branco o Prémio AICA Arquitectura, pela Associação Internacional dos Crítica de Arte.