PCP quer combater a perda do poder de compra dos trabalhadores

Redação

O PCP reiterou, ontem, a necessidade de travar a escalada dos preços e combater a perda do poder de compra dos trabalhadores.

Numa ação de contacto, o deputado Ricardo Lume recordou que os madeirenses estão a ser confrontados com esta realidade, primeiro devido à pandemia e agora devido à guerra e sanções dela provenientes. “Tudo é pretexto para aumentar os preços dos bens essenciais dos combustíveis, do gás, da eletricidade, das rendas da habitação, assim como tudo é pretexto para não aumentar o valor real dos salários e pensões”, lamentou.

“Hoje estamos com a maior taxa de inflação dos últimos 29 anos, só no mês de abril a inflação em Portugal atingiu 7%, esta realidade faz com que exista um corte no poder de compra dos trabalhadores se os seus salários não forem atualizados, ou seja, um trabalhador que tem um salário de 800€ teve indiretamente no mês de abril um corte salarial na ordem dos 56€”, continuou, considerando que “o mais grave na nossa Região é que para além do aumento da inflação é que o salário médio diminuiu no primeiro trimestre de 2022 face ao mesmo período do ano passado”.

De facto, de acordo com o comunista, no primeiro trimestre de 2021 em período pandémico, com restrições à economia, o salário médio bruto de um trabalhador madeirense era de 903 euro, enquanto que no primeiro trimestre de 2022, e “após 11 meses de crescimento económico na região”, o salário médio de um trabalhador madeirense é de 875 euros, perfazendo uma redução na ordem dos 3,1%.

“Esta é uma realidade contraditória que tem de ser denunciada e combatida, pois o que seria razoável era quando existe crescimento económico também deveriam de crescer os salários, mas parece que na nossa região não é bem assim”, defendeu Ricardo Lume, que vinca que o “brutal aumento do custo de vida constitui, a par da degradação dos salários e reformas um factor fortemente penalizador do poder de compra da esmagadora maioria dos madeirenses e porto-santenses”.

O deputado mais criticou a dualidade de critérios do Governo Regional, ao afirmar que quando é para aumentar o salário dos trabalhadores os governantes dizem que é preciso questionar se os empresários têm capacidade de pagar tal aumento.

“Mas quando os grandes grupos económicos aumentam os preços dos bens essenciais e dos combustíveis, aí já não é preciso perguntar aos consumidores, a sua grande maioria trabalhadores e pensionistas, se têm capacidade para pagar o aumento dos preços. Quando os dados apontam para uma inflação reduzida ou nula os Governos e as entidades patronais dizem que não é necessário aumentar os salários dos trabalhadores porque não estão a perder poder de compra”, atirou.

No entender do PCP, este aumento “drástico” do custo de vida “não é uma inevitabilidade” e “não só é possível como necessário garantir a valorização dos salários e das pensões, como também tomar medidas para garantir a fixação de preços máximos nos combustíveis nos fatores energéticos e nos bens essenciais”.

É neste sentido que o partido defende que o aumento do Salário Mínimo para 850€, o acréscimo salarial de 90€ por mês para todos os trabalhadores e o aumento das pensões de reforma em 5,3% com um mínimo de aumento de 20€, são medidas fundamentais para impedir a perda de poder de compra.

“A fixação de preços máximos em produtos essenciais, nos combustíveis e fatores energéticos, assim como a redução do IVA na eletricidade e gás e a redução do ISP, são medidas fundamentais para evitar a continuação da escalada dos preços”, rematou.