Departamento de oncologia poderá surgir no SESARAM

Susy Lobato

O secretário regional da Saúde afirmou, esta manhã, que o serviço de hemato-oncologia está «numa fase de renovação» e que, em breve, deverá surgir um «departamento de oncologia no Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM)».

«Neste momento temos já sete colegas, quatro para o tratamento das doenças oncológicas sólidas, três para o tratamento das doenças oncológicas líquidas - os linfomas e as leucemias - e, provavelmente, vai acontecer uma nova organização no que diz respeito ao seu funcionamento com a criação de um departamento de oncologia no SESARAM», mencionou Pedro Ramos, à margem de uma sessão comemorativa do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, que decorreu no Hospital Dr. Nélio Mendonça.

Na oportunidade, o governante enalteceu o papel do voluntariado e do Núcleo Regional da Liga Portuguesa Contra o Cancro, destacando o acompanhamento que é feito aos doentes e às respetivas famílias.

Já o presidente do Núcleo Regional, que também interveio na sessão comemorativa, aproveitou o momento para anunciar uma nova equipa que está a ser constituída para os «vencedores» da doença oncológica que, «muitas vezes, têm dificuldade em voltar ao seu local de trabalho e ao ativo». Ricardo Sousa mencionou que a Liga tem tido o cuidado de alimentar a prevenção, mas também de promover a humanização e a socialização do doente, tentando fazer com que essas pessoas «possam andar no seu dia-a-dia de cabeça erguida e que, apesar da sua doença, a sociedade tenha a capacidade de absorvê-los».

O número de casos de cancro tende a aumentar, mas os casos de sucesso também são cada vez mais animadores.

Isso mesmo fez questão de sublinhar o diretor do serviço de hemato-oncologia do SESARAM, Fernando Aveiro, que referiu-se à doença como «uma luta para vencer» e que «está a ser ganha».

«Nos anos setenta tínhamos uma sobrevivência ao cancro de 25% e atualmente estamos acima dos 50%», mencionou o especialista, acrescentando, ainda assim, que na Madeira surgem cerca de mil novos casos por ano.

«Duplicamos os sobreviventes de cancro (...) mas é preciso continuar e manter esta luta, porque ainda queremos muito mais porque os doentes merecem mais», reforçou Fernando Aveiro, destacando o papel relevante dos médicos de família no que respeita aos diagnósticos precoces e ainda à importância das consultas multidisciplinares.

«Só com multidisciplinaridade é que nós podemos recorrer a um tratamento atempado e a um melhor tratamento, porque isto não depende de uma cabeça só, depende de várias especialidades», concluiu o responsável.