Eduardo Jesus considera aumento do número de hotéis à venda uma “prática natural” da atividade

Lusa

Em entrevista à agência Lusa, o secretário regional do Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, considerou que o número de hotéis à venda na Madeira se trata de uma "prática natural" da atividade.

"É natural que, em fases como esta em que nos encontramos, os investidores estejam mais atentos e mais desejosos da concretização de negócios. Por isso, é natural que o mercado também reaja, colocando à disposição unidades para venda", afirmou o governante.

Segundo indicam várias imobiliárias, em ‘sites' na internet, o número de unidade hoteleiras à venda passou de cinco, em março de 2020, para cerca de 20 este ano, localizados em diversos concelhos da Madeira, com diferentes dimensões, entre 12 e 70 quartos, e com preços entre 800 mil euros e 16 milhões de euros.

"O facto de haver unidades à venda, de se vender ou comprar unidades, não é o aspeto mais relevante. O que é relevante é que esses negócios permitam a continuidade da atividade e a manutenção ou crescimento dos postos de trabalho", ressaltou Eduardo Jesus, avançando que o Governo Regional não tem conhecimento de “uma situação em que a possível venda seja para uma reconversão da atividade”.

Além do mais, o secretário garante que o executivo, de coligação PSD/CDS-PP, está em "contacto diário" com o setor, e procura conjugar de "forma rápida" as medidas de auxílio nacional e regional.

No caso da venda de hotéis, Eduardo Jesus considera que o mais importante é manter a atividade e salvaguardar os postos de trabalho. "O que temos registado ao longo do tempo é que, através de processos de compra, de concentração e fusão ou de desintegração de grupos em unidades mais pequenas, a atividade tem crescido e o emprego tem-se promovido, e isso é o fundamental", declarou.

Já a Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF) justificou este aumento de hotéis à venda com a "situação crítica e aflitiva" das empresas e com o "atraso no acesso aos apoios".

"As ajudas que têm sido lançadas não são suficientes. São positivas, umas mais do que outras, mas não são suficientes", disse à agência Lusa o presidente da ACIF, Jorge Veiga França, sublinhando que o setor do turismo foi o mais afetado pela crise da covid-19.

Segundo dados recolhidos por esta associação através de um inquérito, de uma amostragem equivalente a 56% da capacidade do arquipélago (3.864 funcionários e 16.300 camas) a maior parte disse não ter autonomia para suportar responsabilidades e salários, nem condições para proceder à reabertura gradual dos estabelecimentos sem ajudas adicionais.

Já % dos inquiridos indicou dispor de capacidade para pagar somente dois meses de salários - março e abril - e apenas 4% poderá suportar essa responsabilidade até ao final do ano.

"Defendemos a alteração de algumas ajudas, designadamente a possibilidade de o setor hoteleiro aceder ao ‘lay-off’ simplificado mesmo quando não haja confinamento total obrigatório e independentemente do volume de quebras na faturação", disse Jorge Veiga França, mais considerando que se tal não se acontecer, verificar-se-ão mais despedimentos e unidades hoteleiras à venda.