TAP origina episódio insólito no Aeroporto da Madeira: Para viajar, família teria de deixar o cão em terra

Lúcia M. Silva

José Barros, antigo adjunto de Leonardo Jardim no Mónaco, viveu nesta quarta-feira, dia 5 de agosto, um momento que o próprio descreve como "surreal" tendo em conta a atitude da TAP no momento da sua partida da Madeira para o Porto. Tudo aconteceu quando lhe foi dito, no momento do check-in, que ele e a sua família podiam seguir viagem, mas que o seu cão, também com passagem previamente paga, teria de ficar... em terra.

Ao JM, o técnico contou que esta situação acabou por causar grandes transtornos, até porque, devido à exigência da companhia aérea, a família teve de alterar o voo para mais tarde e já com escala em Lisboa. A partida que estava prevista para as 12h30 só acabou por acontecer às 20h00 porque foi só nesse voo que José Barros conseguiu incluir o animal de estimação (de pequeno porte). Uma viagem que devia ter terminado no início da tarde, só acabou à uma hora da madrugada.

O mais insólito é que, depois de lhe ter sido recusado o transporte do cão no voo inicialmente marcado, por não estar confirmado pela companhia, o técnico foi informado que o transporte do animal dependeria da decisão do comandante da aeronave, isto é, se o comandante se recusasse a transportar o animal, ele e a família teriam novamente que aguardar por outro voo ou, então, deixar para trás o cão.

"O mais ridículo é que pedimos explicações e a informação que nos deram foi que tinham alterado a quota do avião em relação ao transporte de animais e que o cão não estava confirmado. Apesar de termos mostrado todos os documentos e reservas, foi-nos dito que não poderíamos viajar por causa dessa alteração", contou, salientando que, nesse voo, havia outras tantas pessoas na mesma situação e que muitas viveram momentos aflitivos.

Outro aspeto que considerou "surreal" é que, se a TAP reservou e confirmou as viagens com o animal - 140 euros pagos por ida e volta - "ficámos sujeitos à opinião do comandante".

"E se o comandante não gostar de animais?", ironizou José Barros, salientando que os passageiros não podem ficar dependentes da boa-disposição da tripulação.

O técnico desportivo, disse ainda que todos os passageiros que se encontravam na mesma situação estavam estupefactos porque todos tinham feito as suas reservas e tinham sido 'apanhados' de surpresa. "A TAP é que alterou o avião e não avisou. Nós não tínhamos culpa disso, nem iríamos abandonar os animais", afirmou.

"Chegou-se ao cúmulo de pessoas colocarem dois gatos dentro de uma única transportadora para poderem viajar, ou, de ter havido um casal no qual a mulher viajou com um gato e o marido ficou com outro gato para seguir noutra viagem", denunciou, acrescentando que, curiosamente, no voo que acabou por viajar, o avião levava muito lugares vazios, o que o deixou ainda mais perplexo tendo em conta a justificação dada inicialmente pela companhia.

Revoltado com toda esta situação e por se ter sentido "encostado à parede" quando lhe foi dito que, se não viajassem perdiam o dinheiro do voo, José Barros vai apresentar uma reclamação junto da companhia aérea.