O ex-presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, defendeu esta tarde, a necessidade de perseverança na defesa dos interesses da Região junto das instituições europeias e nacionais, sublinhando que o atual momento político exige consenso em vez de confronto.
Em declarações aos jornalistas, depois de ter sido o orador da conferência ‘Encruzilhadas da Europa’, organizada pela Associação de Ex-Deputados da Assembleia Legislativa da Madeira, Jardim recorreu ao provérbio popular “água fria, em pedra dura, tanto bate até que fura”, para recordar que a conquista de objetivos políticos e institucionais exige persistência. “Temos de insistir. Houve muita coisa que se conseguiu estar sempre a insistir e houve outras coisas que não se conseguiu”, afirmou.
O antigo governante considerou que os desafios relacionados com a afirmação da Madeira na Europa e junto do Estado português são processos de longo prazo e alertou para a importância de uma presença constante nos centros de decisão. “A única maneira de obtermos a Europa é chegarmos lá e dizer o que queremos, sem qualquer artifício. E não se esquecer, sobretudo, de andar lá. E em Lisboa, idem aspas. Temos de andar sempre lá e temos que dizer o que queremos”, defendeu.
Sobre os próximos desafios, entende que a proposta de revisão constitucional da Madeira deve ser apresentada em Lisboa com o apoio alargado das forças políticas.
“A Madeira, ao apresentar a sua revisão constitucional em Lisboa, deve sair daqui com um consenso entre os partidos representados na Assembleia da República. Porque se a Madeira chegar lá a uma voz só, eu não estou a ver o Estado Central ter o desaforo de dizer: vocês todos querem isso, mas a gente não quer”, sustentou.
Questionado sobre a atuação do presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, na relação com a República, Jardim manifestou apoio à estratégia seguida pelo atual líder do executivo madeirense.
“Ele tem feito o máximo que podia fazer. Entrou mesmo, a certo ponto, em rutura com o próprio partido a nível nacional. De maneira que aí não tenho nada a criticar. Antes, pelo contrário”, declarou.
Durante a intervenção, Alberto João Jardim voltou a defender um conjunto de reformas constitucionais e estruturais para Portugal, considerando que sem essas mudanças o país continuará a afastar-se das economias mais desenvolvidas da Europa.
“Sem essas reformas o país vai continuar, em vez de convergir, a divergir sempre mais dos países mais adiantados”, alertou.
O ex-governante apontou a Irlanda como exemplo de uma estratégia bem-sucedida de utilização dos fundos europeus. Segundo explicou, o crescimento irlandês resultou da combinação entre reformas internas, investimento em infraestruturas e políticas capazes de atrair capital estrangeiro.
“A pouco e pouco foi aproveitando os fundos, não para festas, não para ficar só dependente deles, mas aplicando-os em infraestruturas e investimentos que, juntamente com as reformas internas, atraíram o capital estrangeiro”, referiu.
Jardim defendeu ainda que o desenvolvimento económico exige uma cultura de trabalho, mas também uma melhor distribuição da riqueza. “Temos a riqueza mal distribuída, temos que ter melhores salários e temos que novamente recuperar a classe média”, afirmou.