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SPEA-BirdLife reforça combate ao lixo marinho através do projeto CircularOcean

Data de publicação
08 Junho 2026
14:15

Hoje, no Dia Mundial dos Oceanos, a SPEA-Birdlife — Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, em comunicado, alerta para uma das ameaças mais persistentes e crescentes à biodiversidade marinha: o lixo marinho.

Segundo a sociedade, “as aves marinhas encontram-se entre os grupos de animais mais afetados pelas alterações ambientais à escala global. Entre elas, a poluição marinha destaca-se pelo seu impacto crescente. Dos mares costeiros às regiões mais remotas do oceano, o plástico tornou-se uma ameaça silenciosa para muitas espécies”.

Durante décadas, os impactos mais visíveis do lixo marinho estiveram associados à chamada pesca fantasma, causada por artes de pesca perdidas ou abandonadas que continuam a capturar animais no mar, e à captura acidental de espécies não-alvo pelas atividades de pesca, conhecida como captura acessória ou bycatch. A estes problemas soma-se a ingestão de resíduos plásticos, frequentemente confundidos com alimento.

“Perante esta ameaça crescente, torna-se cada vez mais importante acompanhar a evolução deste problema e perceber se as medidas para o combater estão a produzir resultados. Neste contexto, as aves marinhas revelam-se aliadas essenciais na monitorização da poluição marinha, permitindo recolher informação sobre a sua dimensão e evolução ao longo do tempo. É o caso da cagarra, uma das aves marinhas mais emblemáticas do Atlântico Nordeste, que foi oficialmente reconhecida, em junho de 2025, como bioindicador de lixo marinho na região. A decisão resulta de mais de oito anos de monitorização na Macaronésia e confirma que esta espécie permite acompanhar os níveis de poluição por plástico presentes no oceano”, alertou a Spea em nota de imprensa.

“Compreender a dimensão do problema é apenas parte da resposta. Tão importante como monitorizar os seus impactos é atuar sobre as suas causas. Reduzir a quantidade de resíduos que chegam ao oceano é uma das formas mais eficazes de proteger esta espécie e os ecossistemas marinhos de que depende.”, disse Cátia Gouveia, coordenadora regional da SPEA-BirdLife.

É precisamente com esse objetivo que 17 entidades da Macaronésia se uniram no projeto INTERREG MAC CircularOcean. Coordenado pelo Governo das Canárias e integrado no programa INTERREG MAC 2021-2027, o projeto reúne parceiros da Madeira, dos Açores, das Canárias, de Cabo Verde, do Gana e de São Tomé e Príncipe para desenvolver soluções inovadoras de economia circular aplicadas ao lixo marinho.

Ao promover a recolha, reutilização, reciclagem e valorização de resíduos marinhos, o CircularOcean atua diretamente sobre uma das principais pressões que afetam as aves marinhas. Menos resíduos no oceano significam menos risco de ingestão de plástico, menos aves presas em artes de pesca abandonadas e uma menor exposição da fauna marinha aos impactos associados à poluição.

Segundo a nota de imprensa, na Madeira e nos Açores, a SPEA já está a desenvolver ações de sensibilização e mobilização junto de pescadores, operadores turísticos, escolas e entidades locais, promovendo boas práticas de prevenção e gestão de resíduos. Este trabalho inclui ações regulares de limpeza costeira e atividades de educação ambiental dirigidas à comunidade escolar. Só na Madeira, já foram realizadas mais de 20 ações de educação ambiental em escolas, sensibilizando mais de 350 alunos para os impactos do lixo marinho e a importância da sua prevenção.

“Num desafio que exige o envolvimento de toda a sociedade, a educação e a participação ativa das comunidades são fundamentais para garantir oceanos mais saudáveis para as gerações futuras, formando desde cedo os guardiões dos oceanos de amanhã.”, concluiu Cátia Gouveia.

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