O Perímetro Florestal das Serras do Poiso acolhe em junho duas edições das Tosquias Tradicionais, uma das manifestações mais emblemáticas da cultura pastoril madeirense.
A primeira realiza-se na próxima terça-feira, dia 10, na Ribeira dos Boieiros, e a segunda está marcada para 21 de junho, no Chão dos Terreiros.
As iniciativas são organizadas pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) em parceria com a Associação de Criadores de Gado das Serras do Poiso (ACGSP).
No total, cerca de 900 ovelhas adultas integram os dois rebanhos que pastoreiam naquela área florestal, sendo aproximadamente 300 na Ribeira dos Boieiros e 600 no Chão dos Terreiros.
A prática mantém-se organizada desde a década de 1960 e é sustentada pelo trabalho diário dos pastores que asseguram o ordenamento silvopastoril das serras.
Para além da tosquia propriamente dita, os dois eventos vão proporcionar ainda ao público um ambiente de arraial madeirense, com animação cultural, atuações artísticas e barracas de comes e bebes.
O secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, sublinha que “a atividade contribui para a gestão sustentável da floresta e para a prevenção do risco de incêndio, além de preservar um património cultural com décadas de história”.
O IFCN tem vindo a assegurar um apoio continuado à ACGSP, não apenas na organização das tosquias tradicionais, mas também através de diversas medidas estruturantes fundamentais para a continuidade da atividade pastoril nas Serras do Poiso. Entre esses apoios destaca-se a celebração de contratos-programa de cooperação financeira entre o IFCN e a associação, no valor anual de 60 mil euros, destinados a garantir a permanência dos pastores indispensáveis à manutenção do ordenamento silvopastoril naquela área florestal.
Paralelamente, encontra-se em fase de conclusão, durante o corrente ano de 2026, a recuperação do Ovil do Chão das Feiteiras, num investimento de 322.629 euros, reforçando as condições de apoio à atividade pastoril nas serras.
O apoio do IFCN inclui igualmente a cedência de feno para alimentação dos animais durante os períodos de menor disponibilidade alimentar, bem como a disponibilização de infraestruturas fundamentais, nomeadamente o Ovil da Ribeira dos Boieiros, o Ovil do Chão das Aboboreiras e o próprio Ovil do Chão das Feiteiras.
A gestão sustentável das áreas de pastagem constitui outra das vertentes do trabalho desenvolvido, através da cedência das áreas de pastoreio no Perímetro Florestal das Serras do Poiso, da manutenção dos espaços de apascentação com controlo de espécies invasoras e infestantes e ainda do apoio à reparação de vedações, mediante a doação de postes de madeira e rede ovelheira à associação.
Para o governante, “a continuidade deste modelo de cooperação entre o IFCN e os criadores de gado demonstra que é possível conciliar conservação da natureza, atividade económica e preservação cultural. As Serras do Poiso são hoje um exemplo de boas práticas de gestão integrada da paisagem, com benefícios claros para o território e para as futuras gerações”.