O Núcleo Regional da Madeira da QUERCUS, em comunicado, apontou algumas das medidas a tomar na prevenção dos incêndios rurais e florestais.
A organização ambientalista pede que se assegure uma faixa de proteção em redor de infraestruturas e equipamentos públicos, assim como na berma das estradas regionais e municipais. A QUERCUS defende que os responsáveis devem apoiar aqueles que não conseguem limpar os seus terrenos por falta de mão de obra ou poucos recursos ecónomicos, bem como defendem a uma maior fiscalização.
Para além disso, pedem a aposta na educação e sensibilização ambiental, sobretudo junto das populações rurais e numa política focada no controlo de plantas invasoras.
Defende também o desencorajamento de tradições, como são os casos do fogo, balões de mecha acessa ou quima de fachos.
Por fim, defende a promoção da saíde mental, bem como o comabte ao alcoolismo e outras toxicodependências, acreditando que o comportamento humano é um fator crítico para a proliferação de fogos.
Leia na íntegra o comunicado da QUERCUS:
“O Núcleo Regional da Madeira da Quercus manifesta preocupação face ao muito que ainda se encontra por fazer relativamente à prevenção dos fogos rurais e florestais. Com agrado verificamos que ao nível institucional ocorre uma campanha de sensibilização no sentido da prevenção dos fogos, que se verifica a limpeza de algumas áreas críticas, que existem planos para prevenção e combate a este flagelo ambiental (POCIF, POCIR ...) mas, no terreno, ainda há muitíssimo por fazer.
Vivemos num tempo de alterações climáticas sendo forçoso que se concretize um conjunto de medidas para a sua mitigação e adaptação. Desde há muito que se tem alertado para a necessidade de não ultrapassar 1,5 °C relativamente aos níveis da era pré-industrial. Alertas pouco valorizados, ignorados face a uma política e a um modo de vida focados no curto prazo. Assim não vamos lá...
Numa região onde se tem verificado um significativo abandono da agricultura e também, porque não dizê-lo, do meio rural, os matos e várias espécies invasoras – eucaliptos, acácias, tabaqueiras, giestas - tomaram conta dos terrenos, encontrando-se algumas povoações rodeadas por estes combustíveis e vulneráveis aos incêndios. O que fazer?
O poder local e regional devem dar o exemplo e assegurar uma faixa de proteção em redor de infraestruturas e equipamentos públicos, assim como na berma das estradas regionais e municipais. Estas entidades devem apoiar aqueles que, tendo consciência da situação, não conseguem limpar os seus terrenos - por falta de mão-de-obra ou poucos recursos económicos. Devem aumentar a fiscalização de modo a identificar os proprietários dos terrenos, forçando-os a proceder à sua limpeza. Devem apostar na educação e sensibilização ambiental, sobretudo junto das populações rurais, alertando-as para as consequências de uma falta de prevenção. Devem criar incentivos fiscais (p. ex. redução do IMI) para quem limpa os seus terrenos. Devem pôr em prática uma política focada no controlo de plantas invasoras, canalizando os meios financeiros adequados. Porque sabemos que a grande vulnerabilidade aos incêndios está relacionada com a proliferação destas plantas na região.
No contexto das alterações do clima que já se verificam e que previsivelmente se agravarão, também é importante desencorajar hábitos e tradições que constituem um risco acrescido de potenciais ignições (fogo de artifício, balões de mecha acesa, queima de fachos). Prevenir o alcoolismo e outras toxicodependências, promover a saúde mental e uma cultura de segurança deviam igualmente fazer parte da prevenção dos fogos rurais e florestais, porque o comportamento humano é um fator crítico.
As escolas e as Organizações Não Governamentais de Ambiente (ONGAs) fazem o que podem no sentido da educação e sensibilização ambiental. As parcerias são sempre oportunas e os resultados têm demonstrado o quão eficazes são. O Núcleo Regional da Quercus da Madeira, em parceria com o Clube de Ecologia Barbusano, da Escola Secundária de Francisco Franco e o Parque Ecológico do Funchal levaram a cabo uma ação de controle de invasoras, para prevenir fogos florestais. O que se verificou no terreno foi um empenho, motivação e um cuidado grandes por parte dos alunos, o que vem mais uma vez mostrar que é muito importante a informação, mas é crucial o trabalho de campo. A juventude tem um potencial enorme, façamos por aproveitá-lo, porque os jovens merecem.”