O deputado único da IL começou por afirmar que falar do setor agrícola “é quase sempre falar de subsídios e apoios e pouco mais que isso”, considerando que a agricultura é atualmente “o setor mais subsidiado e subsídio-dependente” da economia.
Segundo Gonçalo Maia Camelo, este modelo resulta do caminho seguido pela União Europeia e por Portugal nas últimas décadas, defendendo que a excessiva burocracia e dependência financeira afastam os jovens da atividade agrícola.
“V. Exa. disse bem que os jovens não querem acartar sacas de batatas, mas também duvido que queiram acartar o peso da subsídio-dependência e da burocracia”, afirmou.
O deputado centrou depois a intervenção no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), sublinhando que a taxa de execução do programa na Madeira ronda atualmente os 21%.
De acordo com os dados apresentados pelo parlamentar, foram executados cerca de 29 milhões de euros de um envelope financeiro total de 141 milhões de euros destinado ao investimento agrícola regional no período entre 2023 e 2027.
Gonçalo Maia Camelo defendeu que o PEPAC deveria funcionar como “um instrumento de estabilidade, previsibilidade e confiança para os agricultores e produtores regionais”, mas considerou que o processo ficou marcado por “atrasos sucessivos na operacionalização”.
“Estamos neste momento, salvo prorrogações, a um ano e meio da conclusão do PEPAC”, alertou.
“Como é que vamos executar 80% deste envelope em pouco mais de um ano e meio?”, questionou Gonçalo Maia Camelo.