O secretário regional de Equipamentos e Infraestruturas participou esta quarta-feira, em Leixões, na Conferência sobre os “Contratos de Serviço Público de Segunda Geração”, promovida pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT).
Pedro Rodrigues integrou o primeiro painel do encontro, subordinado ao tema “A Mobilidade nas Regiões Autónomas”, moderado por Hugo Oliveira, diretor de Regulação da AMT, que contou igualmente com a participação do diretor regional da Mobilidade dos Açores, permitindo uma reflexão sobre os desafios específicos da mobilidade terrestre nos territórios insulares.
Na sua intervenção, o secretário regional apresentou o diagnóstico atual do sistema de transporte público rodoviário da Madeira, enquadrando a evolução verificada ao nível legal, organizacional e operacional. Destacou, neste âmbito, a implementação da marca única REDE SIGA, a criação do sistema integrado de bilhética GIRO e o sistema de apoio à exploração que permite planear, monitorizar e controlar, em tempo real, a operação dos transportes públicos.
O governante evidenciou os resultados alcançados desde a reorganização do setor, sublinhando que a procura pelo transporte público já ultrapassou os níveis registados antes da pandemia, verificando-se um crescimento de 6,3% face a 2019. Referiu ainda que 64% dos passageiros utilizam os serviços urbanos, demonstrando a relevância crescente deste segmento para a mobilidade regional.
Relativamente aos indicadores operacionais, Pedro Rodrigues destacou que, em 2025, foram transportados mais de 26,4 milhões de passageiros na Região. Os números agregados da Horários do Funchal, da Companhia de Autocarros da Madeira (CAM) e da SIGA Rodoeste revelam uma operação assente em 105 carreiras, asseguradas por 550 motoristas num total de 851 colaboradores. Atualmente, encontram-se afetos ao transporte coletivo de passageiros na RAM 385 veículos, enquanto a receita tarifária anual ronda os 16,7 milhões de euros.
Durante a apresentação, foram igualmente destacados os projetos em curso para reforçar a atratividade e a acessibilidade do transporte público, nomeadamente a implementação de uma plataforma digital de apoio ao utilizador, a disponibilização de bilhética móvel, a melhoria da informação ao passageiro nos autocarros e nas paragens e a aquisição de veículos elétricos, contribuindo para os objetivos de descarbonização do setor.
Entre os principais desafios identificados para o futuro, o secretário regional apontou os constrangimentos decorrentes da insularidade, a necessidade de reforçar a utilização do transporte público em detrimento do transporte individual e a importância de o futuro quadro regulatório nacional reconhecer os sobrecustos operacionais associados às Regiões Autónomas.
A conferência conta com a presença do Conselho de Administração do Instituto de Mobilidade e Transportes, IP-RAM e reúne responsáveis governamentais, entidades reguladoras, operadores e especialistas do setor dos transportes, através de diversos painéis dedicados aos desafios atuais da mobilidade e dos contratos de serviço público. O encerramento dos trabalhos está a cargo do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.