Após as intervenções de Rubina Leal e do antigo deputado António Rocha, a sessão do Parlamento na Comunidade entrou no período de participação pública, com o microfone a circular por uma plateia composta por mais de uma centena de pessoas, entre jovens estudantes, antigos autarcas e cidadãos de várias gerações.
O presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos, Celso Bettencourt, foi o primeiro a intervir, enaltecendo a importância da iniciativa promovida pela Assembleia Legislativa da Madeira em parceria com o JM, ao considerar que esta contribui para aproximar o Parlamento da população e para estimular o debate em torno dos desafios da autonomia.
O autarca retomou algumas das ideias defendidas anteriormente pelos intervenientes, sublinhando que a autonomia conquistada há 50 anos não deve ser encarada como um dado adquirido. Na sua perspetiva, continuam a existir diversos obstáculos ao exercício pleno do poder local, lamentando que as associações nacionais de municípios e de freguesias acabem muitas vezes por assumir um papel de meros observadores nos processos de decisão.
Celso Bettencourt afirmou que a defesa da autonomia tem sido uma luta constante ao longo das últimas décadas e que continuará a ser um desafio para as gerações futuras. “Temos autonomia, mas também somos portugueses”, vincou, defendendo que a Região deve continuar a reivindicar aquilo que considera serem os seus direitos dentro do quadro nacional.
O presidente da autarquia câmara-lobense apontou ainda o exemplo do subsídio social de mobilidade para criticar a atuação do Governo da República, considerando que o Estado “não soube respeitar os madeirenses e porto-santenses” na forma como conduziu este processo.
Concluindo a sua intervenção, manifestou o desejo de que os próximos 50 anos sejam igualmente marcados pela defesa dos interesses da Região. “Por vezes continuamos a ser regiões adjacentes, mas não nos deixamos calar e vamos continuar a lutar pelos nossos direitos”, afirmou.