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Marçal Grilo pede escola mais focada em valores, ciência e adaptação ao futuro

Paula Abreu

Jornalista

Data de publicação
29 Maio 2026
10:51

Eduardo Marçal Grilo enalteceu a evolução dos dados da educação na Madeira, desde 1976. A participar na Conferência da Autonomia – Educação, que decorre no Colégio dos Jesuítas, o antigo ministro da Educação considerou que a autonomia permitiu à Madeira alcançar “um salto enorme” no desenvolvimento educativo e social, destacando a evolução registada nas últimas décadas.

À margem da Conferência integrada nas comemorações dos 50 anos do regime autonómico, o ex-governante socialista recordou que acompanhou diretamente o processo de consolidação da autonomia regional enquanto membro do Governo de António Guterres, em 1995.

“Quando fui para o Governo, em 95, os ministros da República ainda pertenciam ao Conselho de Ministros”, lembrou, referindo que a revisão constitucional de 1997, seguida pela de 2004, permitiu às regiões autónomas conquistar competências e um grau de autonomia “que nunca tiveram”.

Sobre a evolução da educação na Madeira, Marçal Grilo apontou os indicadores estatísticos como prova das transformações ocorridas. “Quando se olha para os dados da PORDATA, relativamente ao país e relativamente à Madeira, não há comparação entre o que isto era no final dos anos 70 e aquilo que é hoje”, afirmou.

O antigo ministro defendeu que o arquipélago conseguiu afirmar-se graças ao estatuto autonómico, considerando visível o progresso alcançado sobretudo nos últimos 25 anos. “O salto é enorme”, sublinhou, acrescentando que a Madeira representa “uma região tão importante do país” que merece celebrar o percurso feito desde a implementação da autonomia.

Questionado sobre os desafios atuais da educação, Marçal Grilo defendeu uma visão mais ampla da escola, centrada não apenas nos resultados académicos, mas também na formação integral dos jovens.

Segundo explicou, o mundo atual vive um período de grande complexidade, marcado pela imprevisibilidade, fragmentação e desordem social, exigindo uma preparação mais abrangente das novas gerações. Nesse contexto, apontou três pilares essenciais para a educação: formação científica sólida, desenvolvimento de atitudes e comportamentos adaptados à mudança e transmissão de valores.

“O sentido da ética, a solidariedade, o respeito pelos outros e o respeito pela verdade” foram alguns dos princípios destacados pelo ex-ministro, que defendeu igualmente uma maior articulação entre escola e família.

“A educação não é feita só pela escola, começa em casa”, afirmou, considerando que os pais, os familiares, a escola e os próprios alunos devem assumir uma cultura de exigência mútua. “Cada um de nós tem que ser exigente consigo próprio”, concluiu.

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