Foi esta tarde celebrado um memorando de entendimento entre o Instituto de Apoio e Promoção Empresarial (Pró-Empresa - Cabo Verde Digital) e a Startup Madeira, com vista a impulsionar negócios empreendedores e unir os dois arquipélagos no que concerne à digitalização, objetivando, ademais, agregar sinergias entre as entidades responsáveis pela dinamização do empreendedorismo e inovação de ambos os territórios.
Rui Barreto, secretário regional de Economia, realçou a importância do momento, evocando as semelhanças entre os dois países. "São dois países na condição arquipelágica, somos dois países irmãos", sublinhou, referindo a vantagem comum da língua portuguesa, para além das "relações históricas muito profundas e relações de amizade e culturais enraizadas nos nossos povos nestas belas ilhas afortunadas".
"Estamos aqui na cabeceira do ocidente da Europa e de África, mas também pertencermos à macaronésia e no que isso significa no nosso posicionamento geoestratégico e também no ecossistema que representa estas belas ilhas", continuou o governante.
Considerando a profunda transformação das economias, Rui Barreto referiu que a Madeira tem muito a ganhar com Cabo Verde.
"Nós temos muito a ganhar com Cabo Verde e esperemos que Cabo Verde também tenha muito a ganhar com a Região Autónoma da Madeira, não só no comércio, mas em parcerias que se podem estabelecer em todos os níveis", disse, listando questões relacionadas com ciberdefesa, cibersegurança e até na modernização da agricultura por via tecnológica. "Nós podemos aplicar a tecnologia para tornarmos os nossos territórios mais eficientes e menos dependentes do exterior, aumentando a nossa autonomia tecnológica" e, assim, "criando valor".
Na cerimónia esteve presente Pedro Lopes, secretário de Estado da Economia Digital de Cabo Verde, Milton Cabral, coordenador da Cabo Verde Digital, e Carlos Soares Lopes, presidente da Startup Madeira.
"Os benefícios são a partilha nos dois sentidos", enfatiza Carlos Soares Lopes
"Este memorando de entendimento é entre duas instituições, a Cabo Verde Digital e a Startup Madeira. São duas entidades congéneres que trabalham o empreendedorismo, a inovação, a transição digital, a ligação com empresas e aqui abre-se uma porta nos dois sentidos, ou seja: empresas e startups madeirenses que queiram ir para o mercado de Cabo Verde, que tem potencial", começou por considerar Carlos Soares Lopes, presidente da Startup Madeira, lembrando que "Cabo Verde tem tido um papel bastante importante no mercado africano global, como local de testes".
No mais, vê ser possível de concretizar o cenário inverso, usando "a Madeira como um ponto de atração, mas também de ligação à Europa".
"Esta ligação - nós fomos vendo ao longo da nossa relação com a Cabo Verde Digital que agora começa - é de sinergias, desafios, oportunidade comuns. Estamos a falar de arquipélagos que têm os mesmos desafios a nível de população, de requalificação de recursos humanos e a parte digital, com esta nova transformação, permite alcançar novas oportunidades de negócio", rematou.
Milton Cabral, coordenador da Cabo Verde Digital, alinhou pela mesma lógica e afirmou que a celebração do protocolo "vem estabelecer uma ponte entre os empreendedores e os jovens fundadores de startups em Cabo Verde e o ecossistema da Madeira", contribuindo, para tal, a similaridade dos dois arquipélagos.
"A Madeira pode se posicionar como uma porta de entrada das empresas cabo-verdianas para a Europa e Cabo Verde ser uma porta de entrada para o continente africano".
Pedro Lopes, secretário de Estado da Economia Digital de Cabo Verde, realçou que o objetivo passa por "empoderar jovens empreendedores que estão na área da tecnologia, criar mais espaços de partilha e desenvolver projetos em comum".
Romina Barreto