O ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, afirmou, esta tarde que, apesar dos 180 biliões de euros que Portugal já auferiu da União Europeia, o país vive num clientelismo dependente.
Depois de enumerar vários avanços dados no país na saúde, no ensino, nas acessibilidades entre outros exemplos, Jardim concluiu que “não conseguimos convergir com quase todos os países europeus”. “Porquê?”, questionou, na sua intervenção na primeira conferência organizada pela Associação de Ex-deputados da Madeira, intitulada ‘Encruzilhadas da Europa’, no salão nobre da Assembleia Legislativa da Madeira.
”Porque adormecemos ante o montante de fundos europeus que sugerimos, optamos por viver conformados num género de ‘vai-se andando’”, não tendo sido despertada a consciência de revolucionar o estado português.
Esta uma das ideias transmitidas pelo primeiro orador do ciclo de conferências, depois de apontar os erros da União europeia nos últimos anos, com várias oportunidades perdidas.
A seu ver, a União Europeia está “numa das maiores encruzilhadas globais da história contemporânea”, e, por isso, defende uma reforma profunda do projeto europeu, baseada, entre outras políticas, na redistribuição de competências entre Estados e regiões.
”A Europa foi danificada pelos vícios do partidarismo”, afirmou, criticando a atual feira de vaidades dos políticos europeus.
”A UE só pode sair da encruzilhada que se enredou por culpa própria e da atual classe política, se rapidamente voltar aos caminhos do federalismo”, se souber assumir a NATO, apostar na política de defesa e militar, na defesa da democracia”, pronunciando-se ainda sobre a influência do regime russo, de Putin e do papel dos Estados Unidos.
O ex-governante entrou ainda, como não poderia deixar de ser, numa análise ao contexto da Madeira na União Europeia, recordando a visão dos seus governos em aproveitar a adesão de Portugal à então Comunidade económica Europeia, para o desenvolvimento da Região e ao reconhecimento das suas especificidades ultraperiféricas.