O representante da República deu início à cerimónia de comemoração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas na Região, manifestando solidariedade para com os afetados pela depressão 'Óscar' e também para com os emigrantes madeirenses na Diáspora, em particular na Venezuela e África do Sul.
No seu discurso, Ireneu Barreto considerou que a autonomia política das regiões insulares é "um dos maiores sucessos do Portugal democrático".
"Celebrar o Dia de Portugal nesta Região é também festejar um dos maiores sucessos do Portugal democrático moderno, saído da revolução de abril e consolidado na Constituição da República de 1976. Esse sucesso é a autonomia política das Regiões insulares", disse o representante da República.
Ireneu Barreto realçou que foi a autonomia política que "permitiu, dando às comunidades insulares poderes e recursos para tomarem as suas próprias opções de desenvolvimento, que se transformasse uma Região pobre e totalmente dependente, como era o arquipélago da Madeira em 1974, num moderno território europeu que olha o futuro com confiança".
"É importante reafirmar, neste dia em que celebramos Portugal em toda a sua diversidade, que a Autonomia é uma conquista que deve orgulhar não só os madeirenses e os açorianos, mas todos os portugueses. Como é importante reafirmar que a Autonomia é uma construção dinâmica, que pode e deve evoluir. Pelo que será sempre legítimo refletir sobre aquilo em que pode ser melhorada, e que os representantes democráticos decidam, em razão dessa reflexão, introduzir mudanças no regime atual", disse ainda, lembrando ser este um ano de eleições regionais.
Região deve "aproveitar até ao limite" os poderes da Autonomia
O discurso do representante da República frisou também que a Região deve "aproveitar até ao limite" os poderes que a Constituição confere aos órgãos de governo próprio para vincar a importância da autonomia.
"Tenho a convicção de que mais que introduzir alterações ao quadro legislativo que tão bom resultado permitiu, o caminho deverá passar por aproveitar até ao limite os poderes que a Constituição e o Estatuto Político-administrativo conferem aos órgãos de governo próprio", reforçou.
"Da minha parte, continuarei sempre a trabalhar para que a autonomia possa funcionar em pleno, procurando ser um contributo para as soluções, e nunca para o acréscimo de dificuldades", disse, expressando também o desejo de ser um "fator de apaziguamento e consenso entre a República e a região e entre as forças políticas locais."
Mais "humanismo", "transparência" e "credibilidade"
Ireneu Barreto afirmou aind que os titulares de cargos públicos "devem reforçar a cada passo a transparência dos seus atos, a credibilidade do seu exemplo, e a convicção na comunidade de que aquilo que os move é, sempre, o interesse público", ao passo que a comunicação social deve "reforçar os critérios de rigor, isenção e clareza".
Marco Milho