A greve dos educadores de infância e professores do 1.º ciclo da Madeira registou uma adesão de cerca de 60%, segundo dados avançados hoje por Lucinda Gabriel, professora e porta-voz do Sindicato dos Professores da Madeira (SPM).
Vários docentes estavam em concentração em frente ao edifício do Governo Regional, onde se situa a Secretaria Regional de Educação, numa demonstração de que a greve “não é silenciosa”.
A paralisação surge como forma de protesto contra aquilo que o sindicato considera serem desigualdades persistentes que afetam os profissionais da monodocência.
A sindicalista explicou que a escolha da data não foi aleatória. Enquanto os restantes níveis de ensino terminaram as atividades letivas, os educadores de infância e professores do 1.º ciclo continuam a trabalhar durante várias semanas. No caso do pré-escolar, as atividades prolongam-se até meados de julho, enquanto o 1.º ciclo só encerra no final do mês de junho.
“É uma injustiça que não pode continuar”, afirmou Lucinda Gabriel, defendendo que estes profissionais são sistematicamente prejudicados em comparação com os restantes docentes.
Entre as principais reivindicações está a revisão do calendário escolar, considerado “desajustado” e penalizador para crianças e profissionais. O sindicato denuncia ainda a manutenção de uma carga letiva superior à dos restantes ciclos de ensino. Enquanto a maioria dos docentes tem 22 horas letivas semanais, os educadores e professores do 1.º ciclo continuam com 25 horas.
Além disso, o SPM acusa a tutela de não valorizar adequadamente o desempenho de cargos e funções adicionais, sem a devida remuneração. Segundo Lucinda Gabriel, muitos docentes acumulam responsabilidades de coordenação e gestão sem que essas tarefas sejam devidamente refletidas nos horários de trabalho.
Outra das críticas prende-se com a falta de regulamentação das reduções da componente letiva por idade e tempo de serviço, uma medida que, segundo a dirigente sindical, já havia sido prometida pela Secretaria Regional de Educação. O sindicato denuncia igualmente a ausência de representação dos docentes do pré-escolar e do 1.º ciclo nos órgãos de gestão das chamadas escolas de fusão, situação que considera incompatível com uma gestão verdadeiramente democrática.
Apesar de reconhecer os constrangimentos causados às famílias, Lucinda Gabriel defendeu que a greve é uma forma legítima de chamar a atenção para problemas estruturais da escola pública. A sindicalista rejeita a ideia de que manter as crianças mais tempo na escola resulte em melhores aprendizagens, alertando para o desgaste e desmotivação dos alunos.
“Não é à custa das escolas, dos professores e dos educadores que se deve garantir a resposta social às famílias”, afirmou, defendendo a criação de protocolos entre autarquias e outras instituições para assegurar apoio às crianças fora do horário escolar.
A adesão à greve superou as expectativas do sindicato, sobretudo por se tratar da terceira paralisação do setor apenas neste mês. Segundo Lucinda Gabriel, houve escolas encerradas, como a da Achada, a Eleutério de Aguiar e vários estabelecimentos em São Vicente. Para a dirigente sindical, os números demonstram o descontentamento crescente dos profissionais e reforçam a exigência de respostas concretas por parte da tutela.