Manuel Filipe destacou o trabalho contínuo que tem vindo a ser desenvolvido na reflorestação da Madeira, sublinhando que este processo vai muito além da simples plantação de árvores.
O presidente do Instituto de Florestas e Conservação da Natureza explicou que a reflorestação começa muito antes da colocação das plantas no terreno, recordando que muitas das espécies permanecem dois a três anos em viveiro antes de reunirem as condições necessárias para serem plantadas. Acresce que se trata de espécies autóctones únicas, que não podem ser encontradas em mais nenhuma parte do mundo e que, por isso, exigem um trabalho especializado de produção e conservação.
“É um trabalho contínuo. Nada começa nem acaba na plantação”, afirmou, destacando o investimento que tem sido feito na modernização dos viveiros florestais da Região, de forma a aumentar a capacidade de produção e a qualidade das plantas.
O responsável reconheceu que existe sempre uma taxa de mortalidade das plantas, variável em função das condições meteorológicas e de outros fatores naturais. Por essa razão, os projetos de reflorestação incluem fases de acompanhamento e reposição das espécies que não sobrevivem. “Há sempre uma percentagem de plantas que, dependendo das condições meteorológicas, obviamente morrem. Por isso é que os projetos também compreendem esse espaço de reposição”, explicou.
Manuel Filipe destacou ainda o papel dos apoios comunitários, nomeadamente através do Proderam, que têm permitido financiar várias ações de plantação e recuperação florestal. Graças a esse esforço, revelou, a Madeira conseguiu reflorestar mais de 800 hectares nos últimos dez anos.
Para o dirigente, estes números refletem o compromisso assumido na valorização e recuperação dos ecossistemas florestais regionais, num trabalho que não se esgota na plantação. A manutenção das áreas intervencionadas, o controlo das espécies invasoras, as limpezas e os cuidados permanentes são igualmente essenciais para garantir o sucesso das ações desenvolvidas.
Além disso, salientou que os viveiros florestais regionais desempenham também um papel importante no apoio aos proprietários privados.