O ex-ministro da Educação, Nuno Crato, não tem dúvidas que a autonomia regional e escolar foi determinante para a evolução da Madeira nas últimas décadas, apontando o arquipélago como um exemplo de desenvolvimento educativo e social para o resto do país.
À margem da Conferência da Autonomia – Educação, organizada pela Comissão Organizadora das Comemorações dos 50 Anos de Autonomia, o antigo governante recordou, em declarações aos jornalistas, a primeira visita que fez à Madeira, em meados da década de 1970, quando ficou “muito impressionado com a pobreza” em Câmara de Lobos. Décadas depois, diz encontrar uma realidade completamente diferente. “Foi um salto brutal”, afirmou, sublinhando o papel da escola nesse processo de transformação.
Segundo Nuno Crato, a educação contribuiu para retirar milhares de crianças do analfabetismo, criando oportunidades e perspetivas de futuro. “A escola teve um papel muito importante nesse salto brutal”, declarou, defendendo que essa evolução “se deveu em grande parte à autonomia”.
O professor considerou que o sistema educativo deve continuar assente em dois pilares: autonomia e avaliação. “A autonomia e a avaliação é o melhor dos mundos”, afirmou, explicando que uma não funciona plenamente sem a outra. Para Crato, exames, provas de aferição e avaliações regulares são fundamentais para medir a evolução dos alunos e garantir qualidade no ensino.
O ex-governante sustentou ainda que Portugal registou melhorias constantes nos indicadores internacionais de educação entre 2000 e 2015, apontando depois um retrocesso a partir de 2016. Na sua interpretação, a quebra ficou a dever-se à perda de um currículo “organizado, rigoroso e ambicioso” e ao enfraquecimento dos mecanismos de avaliação.
Apesar disso, destacou a capacidade de resistência da Madeira, que, segundo afirmou, conseguiu manter “níveis muito aceitáveis” no desempenho educativo, mesmo após os efeitos da pandemia.
Questionado sobre a falta de professores, Nuno Crato classificou o problema como “grave”, lembrando que já era previsível há mais de uma década. Defendeu, por isso, a simplificação do acesso à carreira docente, sem perda de qualidade, para atrair licenciados de outras áreas para o ensino.
Sobre os currículos nacionais e a integração das especificidades regionais, considerou existir margem suficiente para adaptar conteúdos à realidade madeirense e açoriana, sobretudo em matérias ligadas à história e identidade locais. “Cabe à região definir o que quer acrescentar ao currículo nacional”, concluiu.