A Câmara Municipal de Machico apresentou à população a proposta para o futuro Corredor Ribeirinho de Machico, uma intervenção de cerca de nove hectares que pretende reforçar a proteção contra cheias e aluviões, valorizar a ribeira e melhorar a ligação da cidade ao espaço natural envolvente através de soluções baseadas na natureza.
O projeto surge como uma resposta aos desafios das alterações climáticas e assenta numa estratégia que procura aumentar a resiliência ecológica, hidráulica e social do território. Entre os principais objetivos estão a retenção e infiltração da água da chuva, a redução do escoamento superficial e a diminuição do risco de inundações, em linha com o Plano de Gestão de Riscos de Inundações da Região Autónoma da Madeira.
A proposta prevê ainda a valorização da vegetação ripícola autóctone existente, promovendo a biodiversidade e a melhoria do conforto microclimático urbano. Está igualmente contemplada a criação de uma rede contínua de percursos pedonais e cicláveis, recorrendo preferencialmente a materiais permeáveis e a soluções de baixo impacte ambiental, complementadas por elementos de interpretação e sensibilização ambiental.
A apresentação decorreu durante uma sessão de participação pública realizada no Fórum Machico, integrada na fase de diagnóstico e construção da proposta. Na abertura dos trabalhos, o presidente da Câmara Municipal de Machico, Hugo Marques, sublinhou a importância de desenvolver intervenções estruturantes em articulação com a população, defendendo uma lógica de governação participativa e de construção coletiva do território.
Durante a sessão, os participantes tiveram oportunidade de conhecer os princípios orientadores do projeto e de apresentar contributos relacionados com a segurança hidráulica, a gestão do risco de cheia, a valorização ambiental da ribeira e o reforço da ligação da cidade aos recursos hídricos.
A iniciativa integra um projeto-piloto de Soluções Baseadas na Natureza desenvolvido pelo município em parceria com a consultora Wise Up – Sustainability Advisors. Além da sessão presencial, a autarquia mantém aberta uma fase de recolha de contributos da população através de um inquérito público, com o objetivo de ajustar o desenho final da intervenção às necessidades identificadas pelos residentes.
Numa fase posterior, o projeto poderá integrar soluções como bacias de retenção, jardins de chuva e valas drenantes, procurando transformar o corredor ribeirinho num espaço multifuncional capaz de conciliar segurança, valorização ecológica, mobilidade suave e qualidade de vida urbana.
Segundo a autarquia, a intervenção pretende afirmar-se como um instrumento de adaptação às alterações climáticas e contribuir para uma cidade mais resiliente e preparada para os desafios futuros.