O CHEGA Madeira repudiou, hoje, aquilo que apelida serem "malabarismos madeirenses" na Assembleia da República.
Numa nota enviada à redação, o partido afirma entender que a representação do arquipélago na República deve fazer-se com transparência e credibilidade.
"Só assim, conseguirão os madeirenses e os Porto-Santenses sensibilizar o governo central e os diversos grupos parlamentares para as especificidades regionais, argumentando com coerência em prol dos interesses dos cidadãos destas ilhas", atesta.
Infelizmente, refere o líder do CHEGA Madeira, Miguel Castro, "o PSD-Madeira tem escolhido o caminho oposto e transformou a Assembleia da República no palco onde os seus deputados não só põem a descoberto as sinistras ligações que há muito unem sucessivos governos regionais a determinados grupos económicos, mas também demonstram a enorme dificuldade do partido que governa a Região Autónoma há mais de quarenta anos em cumprir a missão de servir a Madeira e o Porto Santo com competência e rigor".
Isto porque, continua, ainda nem estavam esclarecidas as graves acusações feitas por Sérgio Marques quanto à existência de redes de influência, conluio e favorecimento na gestão das obras públicas e do próprio funcionamento do governo regional, quando os madeirenses são novamente confrontados com o caso de outra deputada, desta feita Patrícia Dantas, que passou a integrar a comissão de inquérito ao funcionamento desastroso da TAP, estando ela mesma arguida num processo de fraude e corrupção na obtenção de subsídios.
"É caso para dizer que o país está ainda pior do que pensávamos quando uma deputada que está sob a mira da Justiça é chamada para avaliar o percurso sinuoso de uma companhia aérea que tem lesado as famílias portuguesas em milhares de milhões de euros. Que legitimidade ética e moral tem a deputada para avaliar a falta de ética e de transparência que tem pautado a gestão da TAP quando ela mesma é suspeita de atos que desonram a Causa Pública e ofendem os portugueses que pagam os seus impostos?", questiona o CHEGA Madeira.
A reação de Luís Montenegro, presidente do PSD, a mais este caso "é também indicativo do quanto aquele partido perdeu o seu Norte e não constitui alternativa à liderança corrupta do PS". "Aliás, numa entrevista ao canal SIC, o presidente dos sociais-democratas admite claramente que preferia que Patrícia Dantas não estivesse na comissão e até aponta que não foi ele que a escolheu para a lista de deputados. Por outras palavras, diz que não quer a deputada madeirense na comissão que vai investigar a TAP e recusa quaisquer responsabilidades na sua ida para a Assembleia da República", lembra Miguel Castro.
Face a estas declarações do líder nacional do seu partido e face, também, "ao inegável alcance das situações tóxicas" pelas quais Patrícia Dantas foi constituída arguida, as quais não foram ainda esclarecidas, o CHEGA Madeira questiona se "não é mais do que chegado o tempo para Patrícia Dantas seguir o exemplo do seu antigo colega de bancada, Sérgio Marques, renunciando ao seu mandato e respondendo perante a Lei pelos atos de que é suspeita, como qualquer português de bem deve fazer".
O CHEGA-Madeira exige, por isso, que a Assembleia da República "não seja mais o palco onde os deputados do PSD-Madeira despem a pele de cordeiros que vestiram na campanha eleitoral, revelando-se como lobos vorazes da ética que deve nortear a ação política". "A população da Madeira e do Porto Santo merecem deputados credíveis, competentes e honestos, e não um infindável rol de casos que prejudicam a imagem pública de uma Região Autónoma que não é o circo de malabarismos legais e de jogadas de bastidores onde certos governantes, deputados e ex-deputados se sentem tão à vontade", conclui Miguel Castro.
Redação