A Câmara Municipal de Santa Cruz reagiu às declarações de Ricardo Miranda, presidente da Associação Desportiva da Camacha, que anunciou não se recandidatar ao cargo caso a autarquia não altere a sua política de apoio ao clube. Em comunicado, o município considera que esta posição procura condicionar decisões públicas e reafirma que os apoios atribuídos seguem critérios universais e transparentes.
A autarquia sublinha que a sua estratégia não é dirigida a uma associação em particular, mas sim ao conjunto do movimento associativo e aos projetos considerados de interesse municipal. “A política desta autarquia não se destina a apoiar o clube do qual o senhor é presidente, mas sim a apoiar o desporto como um todo”, refere o comunicado.
O executivo municipal garante que não irá alterar os seus critérios de atribuição de apoios em função de pressões externas. “A política de apoios da autarquia não vai ser sequestrada por ameaças, por egos, nem pode estar ao serviço de objetivos pessoais”, sustenta.
A Câmara destaca ainda que a Associação Desportiva da Camacha tem beneficiado de apoio público significativo nos últimos anos. Segundo os dados apresentados, o clube recebeu do Governo Regional, entre 2024 e 2026, cerca de 636 mil euros. Já da Câmara Municipal de Santa Cruz recebeu, desde 2017, mais de 103 mil euros para projetos específicos e quase 14 mil euros destinados a exames médicos e formação desde 2022.
Além do apoio financeiro, o município refere que disponibiliza apoio logístico, recursos humanos e isenções de taxas. O comunicado recorda igualmente que os regulamentos municipais têm vindo a ser atualizados para responder às necessidades das associações, prevendo a partir do próximo ano novas linhas de apoio para instalações desportivas abertas à comunidade, incluindo despesas com água, eletricidade e gás.
A autarquia insiste que os regulamentos em vigor permitem a candidatura a diferentes modalidades de financiamento, abrangendo iniciativas, projetos, formação e manutenção de infraestruturas.
Na parte final do comunicado, a Câmara deixa uma crítica direta à posição assumida por Ricardo Miranda, defendendo que compete aos dirigentes associativos gerir os recursos disponíveis e definir o rumo das instituições que representam. “Aos dirigentes cabe gerir bem as fontes de financiamento disponibilizadas pelas várias entidades públicas”, afirma, acrescentando que “não cabe decidir políticas que são sufragadas pela população e que estão ao serviço de todos e não ao serviço de alguns”.
O município conclui reafirmando que não regressará a modelos de apoio baseados em critérios partidários ou pessoais, rejeitando qualquer discriminação ou atribuição de verbas “sob regime de ameaça”.