A Associação Portuguesa das Pessoas com Necessidades Especiais - Associação Sem Limites, enviou um comunicado ao JM, onde evidencia a sua posição relativamente ao ato de bullying na Escola Básica e Secundária de Santa Cruz contra uma criança portadora de deficiência.
"A Associação Portuguesa das Pessoas com Necessidades Especiais - Associação Sem Limites, gostaría de aproveitar o fecho da semana para abordar e refletir sobre o seguimento da notícia que ocorreu no dia 07 de março, em que uma criança com deficiencia foi vitima de bullying em uma escola da RAM. A Associação Sem Limites não pode de forma alguma ficar isenta de nada dizer, relativamente a este acontecimento, uma vez que transportarmos como principal missão a defesa e direitos de todas as pessoas com Necessidades Especiais. Como tal, sentiu-se a necessidade de expressar atraves de um comunicado a importância de, não só sensibilizar bem como, de consciencializar toda a comunidade no que respeita à temática da Inclusão.
Portanto, primeiramente deveremos realçar que o movimento que já alguns anos é feito a nível mundial pela educação inclusiva é uma ação política, cultural, social e pedagógica, desencadeada em defesa do direito de todos os cidadãos estudantes de poderem estar juntos, aprendendo e participando, sem qualquer tipo de discriminação. Infelizmente, sabe-se que ainda hoje existe muita discriminação e não é só praticada para com crianças com deficiencia, mas também com crianças com caracteríticas ligeiramente diferentes, ou não tão vulgares. E estes, são alvos faceis para a prática de bullying, de assedio e de "o posto de parte" de outras crianças, que muitas vezes e segundo vários estudos, espelham estes comportamentos de violência física e psicológica do que se passa dentro das suas próprias casas.
Existindo assim este conhecimento, a nossa questão colocasse então para toda a comunidade que educa todas estas crianças, desde a criança com deficiencia tal como a criança que não tem deficiencia. Não estaria na hora (tendo em conta o número de casos como este, em diversas escolas) de selecionar minuciosamente a capacidade de toda a comunidade escolar para a receção e igualdade de alunos com limitações? Não será necessário formar, como prática corrente todo o pessoal que trabalhe em escolas de modo a que possam receber de forma cada vez mais "normal" estas crianças? Voltamos a frisar que de todo não queremos atribuir culpas a niguem, nem tão pouco somos dotados de tal, apenas o nosso objetivo primordial é focar-se sempre em diversas soluções, para não aumentar e amenizar o problema até extingui-lo futuramente.
Queremos então, deixar esta reflexão para toda a comunidade. Onde estamos nós todos a falhar? Os pais de todos os alunos recebem o apoio, a motivação ou o conhecimento suficiente destas situações? Não existe pessoal formado em ensino especial suficiente? Não deveria ser esta formação basilar na educação, de todos os funcionários pertencentes às escolas? Porque não aumentar ações de sensibilização?".