Dolores Aveiro recorda tempos difíceis em entrevista a Bárbara Guimarães

Dolores Aveiro foi ontem a convidada de Bárbara Guimarães no programa da SIC, '24 Horas de Vida'. Numa conversa intimista, a matriarca da família Aveiro partilhou com os portugueses fragmentos da sua vida, revelando tudo o que gostaria de fazer se tivesse apenas 24 horas para viver.Lembrou os pais, os amigos e os filhos numa viagem pela Madeira onde falou sobre amor, sofrimento e saudade.

O primeiro local escolhido foi a estátua do filho, no centro do Funchal. Como na data da gravação o craque madeirense estava em Itália, a mãe deixou-lhe uma mensagem pelo telemovóvel. "A mãe tem muito orgulho em ti, filho. És o orgulho da vida da mãe e olha por todos se amanhã a mãe faltar. Tens um bom coração. A mãe ama-te muito.", disse.

O Museu Cristiano Ronaldo, gerido pelo filho, Hugo Aveiro, e a loja da irmã mais velha de Ronaldo, Elma, foram as visitas seguintes. No encontro, Elma Aveiro não escondeu o que sente pela mãe."Amo muito a minha mãe. É a minha guerreira. É lutadora, uma mãe galinha, preocupada, é a minha guerreira. Minha amiga, minha tudo", afirmou emocionada.

O almoço foi passado com a amiga espanhola, Antónia, que disse considerar como "uma irmã". Foi quem a acompanhou aos Estados Unidos para ir buscar os netos Eva e Mateu, sem querer falar muito sobre o assunto.

No caniçal, onde nasceu e viveu durante seis anos, Dolores Aveiro revelou ter "muitas saudades" por lhe fazer lembrar a infância. "Éramos muito pobres. A minha mãe passou muita fome para sustentar os filhos. O meu pai nunca foi um homem responsável...(...)Tínhamos uma casa de palha, mas éramos felizes", afirmou.

Perdeu a mãe cedo, com seis anos, disse lembrar-se do momento em que a progenitora foi embora numa ambulância e nunca mais voltou. "Ela morreu de ataque cardíaco. Lembro-me de ir para casa da minha avó e depois fomos internados num orfanato. O meu pai ficou com um menino, o mais velho, e nós quatro fomos internados". Afirma ter perdoado o pai e não ter remorsos. "Claro. Ele fez bem em internar a gente, porque se ele tivesse a gente no poder dele, a gente passava fome e talvez algum tivesse morrido", assegurou.

O dia passou cheio de reencontro próximos da matriarca e com o pôr do sol a assinalar o fim da entrevista, num passeio de barco, três amigas de Dolores Aveiro juntaram-se para celebrar a vida e a amizade.