Manuel Alegre dedica poema à Lisboa com “praças cheias de ninguém” e que “ainda resiste”

Lusa

O poeta Manuel Alegre publicou um poema na sua página de Facebook dedicado a Lisboa que, “com praças cheias de ninguém”, “ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste” e “ainda resiste”, em tempos de pandemia de covid-19.

Desde a sua publicação em www.facebook.com/manuelalegre.escritor, cerca das 16:00 de sexta-feira, até hoje às 12:00, o poema de Alegre foi partilhado por mais de 5.400 pessoas e teve mais 1.600 ‘likes´.

Lisboa Ainda

Lisboa não tem beijos nem abraços

não tem risos nem esplanadas

não tem passos

nem raparigas e rapazes de mãos dadas

tem praças cheias de ninguém

ainda tem sol mas não tem

nem gaivota de Amália nem canoa

sem restaurantes, sem bares, nem cinemas

ainda é fado ainda é poemas

fechada dentro de si mesma ainda é Lisboa

cidade aberta

ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste

e em cada rua deserta

ainda resiste

20 de março de 2020

Manuel Alegre

A cidade de Lisboa, como o resto do país, vive em estado de emergência desde quinta-feira, que levou a uma redução no número de pessoas nas ruas para evitar o contágio pelo novo coronavírus.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, infetou mais de 265 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 11.100 morreram. Das pessoas infetadas, mais de 90.500 recuperaram da doença.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se já por 182 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Portugal elevou hoje para 12 o número de mortes associadas ao vírus da covid-19, o dobro face a sexta-feira, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS), que regista 1.280 casos confirmados de infeção.