Arquivo é a nova casa da biblioteca ‘invulgar’ de Jorge Sumares

Catarina Gouveia

O Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira é, oficialmente, a nova casa da extensa e diversificada biblioteca do colecionador madeirense Jorge Sumares.

O auto de doação, feito por iniciativa da família do bibliófilo e topógrafo de profissão (atividade que inspirou a maioria dos seus escritos, nomeadamente acerca da ruralidade, em pleno Estado Novo), foi assinado hoje no auditório do ABM, na presença da sobrinha, Marcela Costa, e do secretário regional de Turismo e Cultura, Eduardo Jesus.

Marcela Costa admitiu que ter a biblioteca do tio no ABM é “um sonho” para si, mas também o culminar de um processo desde o falecimento de Jorge Sumares, porque finalmente a sua biblioteca, com dois a três mil volumes (pois ele “todos os dias comprava livros”) tem um fim que o dignifica.

“As pessoas que forem consultar o que foi doado não vão encontrar coisas vulgares”, garante. Clássicos portugueses, livros raros e autografados, muitos deles com dedicatórias de autores portugueses como, Herberto Hélder, que era também seu amigo pessoal, enriquecem agora o património do Arquivo, sendo este um conjunto bibliográfico que percorre a ficção, mas também as grandes áreas do conhecimento, desde a filosofia aos estudos femininos.

Eduardo Jesus demonstrou uma “enorme gratidão” pela doação desta biblioteca construída durante toda uma vida, sobretudo por ser um gesto com o sentimento demonstrado por Marcela Costa. “Este desprendimento daquilo que temos em nossas casas e daquilo que nós temos no universo familiar também é um comportamento superior”, salienta, a contrariar a atitude do ser humano de “receber e dificilmente entregar”.

Sublinha que este é também um reconhecimento e confiança no trabalho feito no ABM, afirmando que este é um “dia feliz” para a família de Jorge Sumares, personalidade que contribuiu também para a estrutura atual orgânica da Cultura na Madeira, para o Arquivo e para a Região no seu todo.

Recorde-se que o ABM recebeu, neste auto de doação, um total de 92 caixas com 1293 espécies bibliográficas, correspondentes a 1154 monografias e sete publicações periódicas. Esta biblioteca de Jorge Sumares, estará disponível para consulta pública após receber o devido tratamento.