‘Mariofa’ começa hoje com duas homenagens

Sofia Lacerda

O ‘Festival Mariofa’ começou hoje, no Teatro Municipal Baltazar Dias, com duas homenagens: uma à professora Lígia Brazão e outra ao Teatro Dom Roberto, que está mais perto de constar do Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

Momentos antes, a também compositora e principal impulsionadora do ensino na Madeira do teatro de fantoches e outras formas animadas, adiantou ao JM e à RTP que “este festival que acontece aqui hoje, com tanta exuberância e tanto empenho, é uma demonstração de que o fantoche continua vivo”.

A homenageada, que tem agora uma placa em sua homenagem no ‘Baltazar Dias’, disse acreditar que esta arte tem uma maior expressão, agora, por haver “um desenvolvimento grande e, ao mesmo tempo, consciente, da valorização da expressão dramática”.

“E a expressão dramática serve-se de vários elementos, pode ser pela expressão do próprio corpo ou de outros meios específicos, nomeadamente o fantoche, as sombras chinesas”, disse.

“Nessa ordem de ideias, a expressão dramática passa a fazer parte dos cursos de formação a partir de 1976, até aí não existia, existia o teatro, mas, como técnica de expressão dramática, ela passa a ser obrigatória por influência dos programas e isso leva a uma conscientização do corpo como elemento cinético, como elemento expressivo”, frisou.

“E isso vai fazer com que, a meu ver, as pessoas tomem consciência da necessidade da comunicação, seja direta, seja através dos fantoches”, considerou.

Nesse sentido, Lígia Brazão sublinhou que “são sementes que foram lançadas nessa época, talvez, de 1970 e 1980, em que há todo esse desenvolvimento e essa chegada às escolas que hoje está, outra vez, a ressurgir, porque estas coisas têm os seus ciclos”, rematou.

Dom Roberto considerado Património

Já José Gil, da S. A. Marionetas, apresentou uma pequena representação do Teatro Dom Roberto, “o teatro tradicional português de marionetas, que já vem do final do século XVIII”, explicou.

“É um boneco que aparecia desde esta altura em todo o lado, nas feiras, nas ruas, por todo o país, inclusive aqui também na Madeira e, no fundo, é como todos os heróis tradicionais europeus de teatro de fantoches de luva, é uma personagem que acaba por ser o espelho do povo”.

O marionetista relevou ainda que “falta muito pouco tempo” para se saber se vai ser aceite, ou não, a candidatura apresentada em 2015 à Direção-Geral do Património Cultural para que o Teatro Dom Roberto passe a constar do Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

A ser aceite, será “uma grande vitória na recuperação do teatro de marionetas português”, regozijou-se.