‘Dicionário’ feito com obstáculos, perdas e o “estímulo” dos críticos, refere José Eduardo Franco

Sofia Lacerda

“Percorremos um longo caminho para chegarmos a esta etapa simbólica do lançamento do primeiro de 10 volumes da ‘Madeira Global’, através de uma epopeia de diálogos e conciliações inauditas, um trabalho intenso e continuado de quase uma década”, começou por afirmar José Eduardo Franco.

“Congregámos e animámos três dezenas de especialistas, das mais diferentes áreas de saber, juntamente com mais de cinco centenas de autores e investigadores, para levar a cabo este desafio”, acrescentou ainda o coordenador científico do ‘Madeira Global – Grande Dicionário Enciclopédico da Madeira’.

Passada quase uma década, o responsável resumiu os “imensos obstáculos” que tiveram de superar para chegar a este resultado, “que a muitos pareceu impossível”.

Destacou “a necessidade de alargar os perímetros de pesquisa, com consequência no aumento da volumetria inicialmente prevista. Passámos de quatro volumes para 10”.

“Os constrangimentos resultantes da dificuldade de garantir o cumprimento de prazos por parte dos autores das entradas. No plano inicial, só 10% dos autores cumpriram religiosamente os prazos e tivemos depois que mudar 30% das autorias, devido a vicissitudes várias, desistências, desânimos, falta de fé no projeto”.

“Vicissitudes”, complementou, “ligadas ao financiamento a reunir para uma obra deste género e desta dimensão nas suas duas fases, em que houve avanços e recuos, hesitações. As duas fases são a plataforma digital ‘Aprender Madeira’ e a edição impressa, que hoje inauguramos, com o primeiro volume”, precisou.

José Eduardo Franco fez questão de homenagear “colegas e amigos coordenadores” que faleceram no decorrer deste projeto, pedindo um minuto de silêncio em memória de Alberto Vieira, João David Pinto Correia e José Manuel Paquete de Oliveira.

“Quisemos editar este primeiro volume em sua memória”, mencionou.

Por outro lado, o responsável enalteceu o contributo de três colegas “especiais” da equipa coordenadora científica: a coordenadora do polo do CLEPUL da UMa, Luísa Paolinelli, o historiador Rui Carita e a também historiadora Cristina Trindade, coordenadora executiva deste projeto.

Finalmente, fez ainda um agradecimento “inusitado a quem criticou duramente e se opôs a este projeto e até trabalhou ativamente para que não se concretizasse”. “Por vezes, os oponentes são causa de perda e desânimo, mas também podem constituir um estímulo para reforçar a vontade de realizar obras que melhorem a vida das sociedades”, congratulou-se.

A esse respeito, na sua intervenção, o presidente do Governo deixou um conselho a José Eduardo Franco. “Tem de ter as caraterísticas de um elefante: a pele grossa e uma boa memória. Aguente, porque vai ser animado, ainda faltam nove volumes”.

Ideais do Iluminismo

No seu discurso, o líder do Executivo, Miguel Albuquerque, considerou que “esta obra é uma reafirmação também daqueles que são os ideais do Iluminismo: a Razão, a Ciência, o Humanismo e o Progresso.

Temos de reconhecer que a Humanidade avançou de uma forma extraordinária nos últimos 250 anos, em todas as modalidades da vivência humana, e isso deveu-se à utilização do pensamento científico, do uso da razão, do progresso que tivemos em todas as áreas”, atestou.

“Nós, através desta obra, estamos a preservar aqueles que são os valores fundamentais que, no futuro, temos que assegurar às novas gerações: Razão, Ciência, Humanismo e Progresso”, insistiu.

‘Dicionário’ projeta ‘600 Anos’

Já o presidente da Comissão Executiva dos '600 Anos’, Guilherme Silva, foi claro.

“No conjunto de eventos e iniciativas que temos tido, faltava algo que tivesse este carácter de perpetuar e de projetar no futuro aquele que é o resultado deste trabalho das comemorações dos ‘600 Anos’”.

Assim, assegurou que “este ‘Grande Dicionário Enciclopédico da Madeira’ não é apenas uma atualização do ‘Elucidário Madeirense’, é muito mais do que isso”.

“É muito mais vasto, é muito mais profundo. Tem, obviamente, um reflexo da época que vivemos, tem a sua edição em papel e a sua edição digital, e uma possibilidade de atualização que o ‘Elucidário’ não tinha”, continuou.

“É uma versão em três línguas, em português, em inglês e em espanhol. Isto dá bem a noção do que é a dimensão e a importância, e daquilo que se pretende neste ‘Dicionário’”, concluiu.