Dicionário deve estar na “história das 10 coisas mais relevantes da Madeira”, diz Pacheco Pereira

Sofia Lacerda

O primeiro volume do ‘Madeira Global – Grande Dicionário Enciclopédico da Madeira’ foi apresentado esta manhã, pelo conceituado Pacheco Pereira, que considerou que este foi “um milhão de euros bem gastos”.

“Um dia, quando se fizer a história das 10 coisas mais relevantes da Madeira, nos últimos anos, este dicionário deve estar lá”, frisou, na sua intervenção no Centro de Congressos da Madeira, perante uma sala cheia.

“Não são apenas os hotéis, nem os restaurantes, nem a beleza física, nem a história política, este dicionário deve lá estar”, sublinhou.

Mais acrescentou que, “desse ponto de vista, o facto de haver um conjunto de patrocinadores privados e de mecenas, também merece todo o elogio. Fizeram um uso excelente ao seu dinheiro, apoiando uma obra que é relevante para quem trabalha na Madeira, para quem tem uma atividade empresarial na Madeira. É relevante, sob todos os pontos de vista, porque qualifica também a sua atividade empresarial”, sustentou.

Num discurso de quase 40 minutos, o investigador, comentador e professor universitário afirmou que “as enciclopédias são as obras mais difíceis de fazer, mais complexas e, desse ponto de vista, é um grande gosto fazer esta apresentação”.

De forma bem-humorada, lembrou que ele próprio, nos últimos anos, tem andado “aos papéis”, “que é também uma forma de fazer uma enciclopédia diferente. Ando aos papéis, a recolher papéis, a salvar arquivos, a salvar espólios, documentos, e a verdade é que essa é uma atividade muito parecida com a dos autores de uma enciclopédia, que é omnívora. A gente come tudo”, acentuou, em forma de gracejo.

“É exatamente esta capacidade de ser omnívoro em relação ao saber e em relação à memória, que, de alguma maneira, nos une com o projeto deste ‘Madeira Global’”, mencionou.

Recordando que a ideia da enciclopédia e do dicionário são formas de preservar e compilar saberes, para que não se percam, indicou grandes nomes deste tipo de publicações, como o Cosmos, a Enciclopédia Britânica, a Larousse, o Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro, a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e até a Enciclopédia Soviética, em que um volume tinha páginas amovíveis, para permitir que estas fossem retiradas, “se algum autor caísse em desgraça”.

Perigos da Wikipédia

“Não está tudo na Internet, longe disso”, fez questão de defender, por outro lado, alertando ainda para o caso da Wikipédia, “que é muito perigosa do ponto de vista científico”.

“Tem uma ideia original que é interessante, que, se nós colocarmos entradas disponíveis a toda a gente para poder corrigir, funciona uma espécie de lei dos grandes números, de maneira a que o resultado final é, em grande parte, um resultado cientificamente válido”.

“Porém, isto não funciona em muitas áreas do conhecimento”, avisou.

“Poderá funcionar para áreas da Matemática e da Física, mas não funciona de todo para as Ciências Sociais e Humanas”, afiançou.

Defesa do papel

Pacheco Pereira foi ainda intransigente na defesa da edição em papel, ainda que tenha destacado duas desvantagens: o facto de não permitir a atualização dos textos, nem o Hipertexto.

Mas defendeu, por outro lado, que “ler um texto sem as distrações do Hipertexto é aquilo que faz a força de um conto e de uma história”.

“Justifica-se a edição em papel”, assegurou.

“Folhear, o ‘browsing’ é muito mais compatível com os nossos sentidos”, garantiu.