Ireneu Barreto destaca importância do papel do professor na atribuição do ‘Prémio Literário’

Sofia Lacerda

João Maria Damião, aluno do 12.º ano da Jaime Moniz, venceu o primeiro prémio do concurso literário instituído pelo representante da República na Madeira, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

O 2º. prémio foi atribuído a Bernardo Luís Rodrigues, aluno do 11.º ano da APEL e o terceiro a Matilde Medeiro Brazão, aluna do 9.º ano do Colégio de Santa Teresinha, numa cerimónia que decorreu, esta tarde.

Na oportunidade, Ireneu Barreto deu as boas-vindas a todos, “a esta cerimónia de atribuição do ‘Prémio Literário’ que, anualmente, distingue os trabalhos dos nossos jovens que ousam aventurar-se no exercício da escrita em língua portuguesa”.

Lembrando que este reconhecimento “surge no contexto das comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, realçou que se trata

de “uma celebração da cultura portuguesa, da qual a língua é, evidentemente, umas das mais fortes expressões”.

Com mensagens em torno dos atuais desafios que os alunos enfrentam e de reconhecimento do papel do professor, sublinhou que, “no mundo da internet, das plataformas digitais, do ‘cloud computing’, ou das intervenções cirúrgicas altamente computorizadas, já não basta o que a escola até há pouco tempo ministrava”.

“Impõe-se, portanto, uma mudança de paradigma. Este é um desafio, mas que vamos ganhar, que temos de ganhar com a ajuda decisiva dos professores”, considerou.

“Da importância da sua função, todos temos consciência, ainda que por vezes de um modo relativamente abstrato”, admitiu.

Porém, ressalvou que “nem sempre nos comportamos de acordo com essa consciência, talvez porque a mesma precise de ser complementada com outra: a do esforço dos professores”.

“Trata-se de uma das profissões mais desgastantes, obrigando a um contacto de alta intensidade com jovens incrivelmente enérgicos, uma profissão com obrigações de resultado e, ao contrário do que muitos dizem, em permanente avaliação”.

“O nível de esforço físico e psicológico desta profissão, para além da dimensão do conhecimento, obriga-nos a um profundo sentimento de respeito e admiração, que não podia deixar de manifestar aqui perante todos vós”, reconheceu.

“Os professores têm um papel fundamental, em constante renovação, dada a exponencial circulação de informação oferecida aos nossos jovens, as mais das vezes sem controlo quanto à veracidade e qualidade dos conteúdos”.

“Perante ‘fake news’ e dados não comprovados, passando pela superficialidade da informação na Internet de fácil acesso, os professores dão um contributo inestimável para que os nossos jovens aprendam a filtrar o que lhes chega e o que encontram”, enalteceu.

Por isso, alertou que “num ano repleto de atos eleitorais, devemos estar particularmente atentos a estas realidades”.

“Os jovens, mesmo os que ainda não votam, devem começar a interessar-se verdadeiramente pela ‘res publica’, para que, no momento próprio, possam realizar as suas escolhas, com capacidade crítica”.

“Eles fazem perguntas e merecem respostas ponderadas nestes tempos de incertezas e de extremismos”, assegurou.