Prémio Camões: Companhia das Letras diz que houve "justiça" na atribuição a Chico Buarque

Lusa

A Companhia das Letras, maior editora do Brasil, afirmou hoje à agência Lusa que houve "justiça" na atribuição do Prémio Camões 2019 ao músico e escritor brasileiro Chico Buarque, uma escolha que considerou "sábia" por parte dos jurados.

“O Prémio Camões sabiamente julga qualidade e não quantidade. Dessa forma, soube premiar no passado, com toda a justiça, Raduan Nassar e agora Chico Buarque. São autores afins, que trabalham horas a fio cada frase que um dia virá a ser impressa. O prémio deste ano vai para cinco romances magistrais da língua portuguesa e para um artista que usa em vários campos (música, teatro e literatura) a liberdade para a melhor arte e vice-versa”, argumentou Luiz Schwarcz, CEO da Companhia das Letras, em declarações enviadas à Lusa, também publicadas na rede social Twitter.

O músico e escritor Chico Buarque é o vencedor do Prémio Camões 2019, foi hoje anunciado, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro.

Estreou-se como romancista com "Estorvo", publicado em 1991, a que se seguiram "Benjamim", "Budapeste", "Leite Derramado" e "O Irmão Alemão", em 2014.

"Tantas Palavras", que reúne todas as canções e uma reportagem biográfica de Humberto Werneck, sobre o músico e escritor, "Querido Poeta", com a correspondência trocada com Vinícius de Moraes, são outros títulos de Chico Buarque que começou a carreira nas letras com a produção para teatro.

"Roda Viva", de 1967, foi a primeira peça por si escrita, a que se seguiu, em 1973, "Calabar - O Elogio da Traição". Proibidas pela censura, as obras acabaram por se transformar em símbolos de resistência à ditadura militar brasileira. "Calabar" só chegaria aos palcos em 1979.

Entre um e outro título escreveu "Chapeuzinho Amarelo", o seu único livro de literatura infantil. Datado de 1970, contou com ilustrações originais do cartoonista Ziraldo, que foi distinguido com o prémio Jabuti, por este trabalho.

"Gota d'Água", o drama de um casal que se separa, data de 1975, e antecede a conhecida "Ópera do Malandro", de 1978, última obra do escritor concebida para cena, um musical inspirado na "Beggars Opera", de John Gray, e na "Ópera dos Três Vinténs", de Bertolt Brecht e Kurt Weill.

Em 1981, publicou "A Bordo do Rui Barbosa", poema escrito entre 1963 e 1964, com ilustrações de Valandro Keating.

Chico Buarque fora já distinguido duas vezes com o prémio Jabuti, o mais importante prémio literário no Brasil, pelo romance "Leite Derramado", em 2010, obra com que também venceu o antigo Prémio Portugal Telecom de Literatura, e por "Budapeste", em 2006.

O músico e escritor foi escolhido pelos jurados Clara Rowland e Manuel Frias Martins, indicados pelo Ministério português da Cultura, pelos brasileiros Antonio Cícero Correia Lima e António Carlos Hohlfeldt, pela professora angolana Ana Paula Tavares e pelo professor moçambicano Nataniel Ngomane.

Escritor, compositor e cantor, Francisco Buarque de Holanda nasceu em 19 de junho de 1944, no Rio de Janeiro.

O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988, com o objetivo de distinguir um autor "cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum".

Foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor Miguel Torga. Em 2018 o prémio distinguiu o escritor cabo-verdiano Germano Almeida, autor de "A ilha fantástica", "Os dois irmãos" e "O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo", entre outras obras.