"A verdadeira criatividade pressupõe liberdade", defende Alberto João Jardim

Sofia Lacerda

“Gosto, tempo e ideias” são os ‘ingredientes’ que Alberto João Jardim considera serem necessários para escrever um livro, com um a ser particularmente essencial: a liberdade.

“A verdadeira criatividade pressupõe a liberdade”, defendeu, esta tarde, o antigo presidente do Governo Regional, perante uma plateia cheia, no Conservatório - Escola Profissional das Artes da Madeira e que também contou com a presença do secretário da Educação, Jorge Carvalho.

Convidado para falar sobre ‘diz ‘Não!’, a sua mais recente obra e a primeira de ficção, o escritor sustentou que só pode criar sabendo que está a escrever aquilo que quer e gosta, a mensagem que pretende transmitir. “Se eu souber que posso ser preso por escrever aquele livro ou que vai haver uma censura que vai lá dar um traço em cima daquilo tudo, para que é que eu estou a perder o meu tempo”, questionou.

Minutos antes, Alberto João Jardim já tinha adiantado ao JM que ia explicar aos alunos do Conservatório as razões para escrever um livro e qual é o trabalho que é preciso desenvolver para poder escrever uma obra de ficção.

Admitiu que “é muito mais difícil escrever ficção do que escrever memórias, porque uma ficção, todos os dias tem que se inventar, tem que se criar”.

“E porque todos os dias tem que se inventar, tem que se criar, ainda por cima é necessário ter um planeamento bem feito, porque as personagens têm que jogar sempre logicamente até ao fim do livro e como este livro não decorre só numa época, começa antes do 25 de Abril e vai até 2030, o livro vem de um passado a um futurismo, por isso mesmo o planeamento tem que ser muito cuidado para não haver contradições”, frisou.