Diarística e Cabral do Nascimento na próxima Conferência do Teatro

Acontece na próxima quarta-feira, 20 de junho, às 18h00, mais uma sessão das Conferências do Teatro: Madeira de A a Z, no Teatro Municipal Baltazar Dias. Os temas abordados nesta sessão do mês de Junho serão a Diarística e Cabral do Nascimento, tendo como oradoras convidadas Cláudia Faria e Ana Salgueiro, respetivamente.

Cláudia Faria irá debruçar-se sobre as travessias da diarística e da escrita do eu. Segundo nota da própria, “É exatamente porque o “eu” do individuo moderno não é continuo e harmónico que as praticas culturais de produção de si se tornam possíveis e desejadas, pois são elas que atendem à demanda de uma certa estabilidade e permanência através do tempo. Mais do que elaborar um percurso cronológico sobre o género confessional e/ou sobre a diarística pretende-se, antes, refletir sobre as escritas do eu, sobre a busca de “verdade” inerente à produção de carácter intimista e profundo, isto é, sobre o modo como a vida se (re)inscreve numa folha de papel (ou num ecrã).

Já Ana Salgueiro propõe-nos uma viagem na obra multidimensional de Cabral do Nascimento, analisando em que medida o paradigma da condição exílica define a orgânica do seu percurso cultural e político e, consequentemente, a construção da sua imagem de intelectual orgânico e humanista (auto-)crítico.

Madeirense nascido no Funchal a 22 de março de 1897, embora oriundo de um contexto familiar multinacional, onde se destacam as origens portuguesas, britânicas e judaicas, João Cabral do Nascimento foi uma das mais interessantes figuras das Histórias da Cultura Madeirense e da Cultura Portuguesa do século XX, cuja obra (muito para além do que nos deixou nos seus livros de poesia) permanece hoje ainda muito esquecida ou ignorada. A sua obra escrita inclui poesia, mas também ensaio historiográfico, crónicas, artigos jornalísticos, narrativa ficcional, organização de antologias e tradução, tendo sido um dos mais importantes tradutores portugueses do século XX, inscrevendo no sistema cultural nacional mais de 100 autores estrangeiros, alguns deles incómodos para o Estado Novo e cujas traduções vieram a ser censuradas.

A sessão é de entrada gratuita e será realizada no Foyer do Teatro. Relembramos que estas conferências são promovidas pela Câmara Municipal do Funchal, em parceria com o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, a Cátedra Infante Dom Henrique para Estudos Insulares, a Agência de Promoção de Cultura Atlântica, a Universidade da Madeira e o Instituto Cultural dos Açores.