Publicado inédito em Portugal de Edmondo De Amicis sobre Constantinopla no século XIX

Lusa

Um livro que é considerado um dos que melhor descreve a cidade de Istambul, “Constantinopla”, foi escrito no século XIX pelo italiano Edmondo De Amicis e vai ser publicado pela primeira vez em Portugal pela Tinta-da-China.

“O melhor livro que existe sobre Istambul foi escrito por um autor italiano”, escreveu Orhan Pamuk, Prémio Nobel da Literatura, nascido em Istambul, sobre o livro “Constantinopla”, de Edmondo De Amicis.

Publicado originalmente em 1877, este clássico do século XIX tem agora a primeira edição integral em Portugal, com tradução de Margarida Periquito, a partir do italiano, e chega às livrarias no dia 24 de novembro.

A opinião de Orhan Pamuk, também ele autor de um livro que traça um retrato de Istambul, é partilhada pelo filósofo e escritor italiano Umberto Eco, que assina o prefácio e no qual escreve que, “de todas as descrições de chegada a Istambul, a mais cinematográfica é talvez a de Edmondo De Amicis”.

Umberto Eco faz esta referência após lembrar que “a viagem a Istambul constitui, desde a Antiguidade até hoje, um género literário com as respetivas regras e prevê sempre o arrebatamento da chegada”.

Assinalando que De Amicis é um escritor “menos conhecido a nível internacional”, estando sobretudo associado ao livro “Coração”, que marcou os jovens da sua geração, Umberto Eco destaca, contudo, que “era um excelente jornalista, e dá provas disso em Constantinopla, reportagem pouco conhecida e de grande beleza”.

Edmondo De Amicis começa o livro com a descrição da sua chegada, por mar, a Constantinopla (atual Istambul): “A emoção que senti ao entrar em Constantinopla quase me fez esquecer tudo o que vi em dez dias de navegação, do Estreito de Messina à embocadura do Bósforo”.

Umberto Eco dá conta dessa mesma sensação na viagem que fez a Istambul, e na qual se fez acompanhar pelo livro de Edmondo De Amicis, apesar de aquela cidade não ser exatamente a descrita em “Constantinopla”, primeiro porque chegou por terra e, depois, porque estava sol e não nevoeiro.

“Todavia, quando poucas horas depois de chegar, subi sem hesitar ao cimo da Torre de Gálata e vi a cidade à luz do pôr-do-sol, encontrei parte das emoções de De Amicis”, descreve no prefácio.

O livro traça todo o percurso seguido pelo autor, começando com a descrição da chegada e das primeiras cinco horas que lhe sucedem, para depois fazer referências à ponte, à cidade e ao hotel.

Ao longo de 495 páginas, Edmondo De Amicis, dedica grande parte da narrativa a Gálata e ao "coração de Istambul", depois de ter visto "por alto Constantinopla inteira", percorrendo as duas margens do Corno de Ouro.

A basílica de Santa Sofia, o palácio imperial de Dulma Baghche, as mulheres turcas, um incêndio no cimo da torre de Gálata, as muralhas e o antigo Serralho (monumento histórico da dinastia otomana) são outros dos temas sobre os quais o autor se debruça, para terminar com as descrições das visitas dos últimos dias, dos turcos e do Bósforo.

Igualmente inédito em Portugal é o primeiro livro de ficção do brasileiro Ruy Castro, conhecido como grande biógrafo da língua portuguesa pelos seus livros sobre Nelson Rodrigues, Carmen Miranda e Garrincha.

O livro, também editado pela Tinta-da-China, chegou este mês às livrarias com o título “Bilac Vê Estrelas” e resulta de uma ampla pesquisa histórica, evocando lugares e figuras reais, transformada depois “numa divertida narrativa, que fica algures entre o documentário irreal e o policial novelesco”, descreve a editora.

O enredo passa-se no Rio de Janeiro de 1903, em plena ‘Belle Époque’ e envolve o poeta brasileiro Olavo Bilac (1865-1918) e um amigo jornalista que constrói um dirigível, despertando a cobiça de dois franceses, que enviam uma espia portuguesa para seduzir Bilac e roubar o projeto.