António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa lamentam falecimento do cineasta madeirense Cunha Telles

Redação/Lusa

António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa manifestaram, hoje, o seu profundo pesar pela morte do cineasta madeirense António Cunha Telles, que morreu esta quarta-feira aos 87 anos.

Recorde-se que o produtor e realizador é um dos nomes indissociáveis do Cinema Novo português nos anos de 1960.

A propósito da sua partida, O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje serdifícil imaginar o Cinema Novo português sem o impulso decisivo dado por Cunha Telles, salientando que este dedicou a sua vida a esta arte.

“António Cunha Telles adiou o desejo de criar os seus próprios filmes para produzir os dos seus contemporâneos. É difícil imaginar o Cinema Novo português sem o seu impulso decisivo. Até ao fim, a sua vida foi dedicada ao cinema. Sentidas condolências à sua família e amigos”, escreveu o primeiro-ministro na sua conta na rede social Twitter.

Já o presidente da República reiterou que o cineasta madeirense foi uma das figuras fundamentais do Cinema Novo português e que "formou o gosto de uma geração, distribuindo algum do mais destacado cinema de autor da década de 1970".

"À família de António Cunha Telles, que deu continuidade ao seu ofício, manifesto o meu pesar e o reconhecimento pelo trabalho de um homem que nos ajudou a sermos do nosso tempo", declara Marcelo Rebelo de Sousa, numa mensagem de pesar no sítio oficial da Presidência da República na Internet.

Recorde-se Marcelo Rebelo de Sousa condecoro António Cunha Telles com o grau de grande-oficial da Ordem do Infante D. Henrique realizador em 2018.

De acordo com a produtora, António da Cunha Telles morreu no Hospital Cuf Tejo, em Lisboa, e o funeral irá realizar-se no sábado também na capital.

Realizador de "O Cerco", em 1970, a sua ligação ao cinema e à emergência da nova expressão remonta ao início da década de 1960, com a produção de filmes fundadores do Cinema Novo português como “Os Verdes Anos” (1963), de Paulo Rocha, e “Belarmino” (1964), de Fernando Lopes.

António Cohen da Cunha Telles, que nasceu no Funchal, em fevereiro de 1935, tinha praticamente concluído, e ainda inédito, o filme "Cherchez la femme".

Filho de um advogado português e de uma cantora lírica dinamarquesa, foi no Funchal que António Cohen da Cunha Telles começou a fazer filmes ainda na adolescência.

No documentário "Chamo-me António da Cunha Telles" (2011), de Álvaro Romão, o produtor lembra-se de revelar a película desses primeiros filmes na banheira, em casa, porque de outra forma demoraria três meses, se enviasse para revelação no continente.

António da Cunha Telles tencionava estudar Medicina em Lisboa, mas acabou por seguir os caminhos do cinema. Dirigiu o jornal de atualidades “Imagens de Portugal”, passou pelos serviços de cinema da Direção-Geral do Ensino Primário e orientou cursos na Mocidade Portuguesa, e foi operador de câmara para a RTP, tendo filmado a visita da rainha Isabel II a Portugal em 1957.

Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e rumou a Paris para estudar realização no Institut d’Hautes Études Cinematographiques, onde se cruzou com Paulo Rocha. E é de Paulo Rocha o primeiro filme que Cunha Telles produz. "Os Verdes Anos" representa uma estreia para a maioria dos técnicos e elenco envolvidos e também para o próprio Paulo Rocha enquanto realizador.