Compartilhar a partilha

Ensinam-nos, desde pequeninos, a partilhar.

 

Sejam brinquedos ou comida. Na escola ou em casa. Partilhar é sinónimo de boa educação. De que se sabe que somos afortunados por ter algo que outra pessoa não tem e, por isso, devemos partilhar algo ou alguma coisa com alguém. Uma vez brincas tu com o carrinho. Da próxima, brinco eu. Na rotina do quotidiano, temos tempo de estar sempre à espreita para que partilhem alguma coisa com o nosso eu. Se calhar, ganhamos o hábito de sempre aguardar alguma coisa. Até mesmo de ser nós a partilhá-la.

Se é na rotina que entendemos o que é partilhar, é na vida que aprendemos o que significa, por outro lado, compartilhar. Engane-se se julga que significam o mesmo. A minha vida, as experiências que já vivi, ensinaram-se o contrário. Compartilhar passa por vivermos na pele do outro quando nos confinam algum segredo. É dar e ficar com parte: é viver em dois uma mesma experiência, num mesmo lugar. Compartilhar é algo que a vida nos ensina. Aprendemos que a vida tem mais graça se for compartilhada com outras pessoas. Se pudermos vivê-la, continuar com ela, mas entrega-la um pouco também aos outros.

“Sozinhos vamos rápido, juntos vamos mais longe” é o que se costuma cantalorar por aí. Afinal, se pudermos compartilhar com os outros as nossas vivências não as carregamos sozinhos. Estamos mais livres para conseguir encontrar soluções a problemas. Partilhar é dar aos outros algo que não nos faz falta; compartilhar dar parte essencial de nós a alguém, esperando que ela a “devolva” com o mesmo. Deambulamos pensamentos e vivências, em sentido restrito, num mundo perdido em busca de significado. Procuramos sempre alguém que queira compartilhar o mesmo do que nós, na mesma hora, no mesmo lugar e na mesma sintonia.