Teleféricos

A Madeira é a região do país com mais teleféricos.

Talvez esta seja uma realidade que nos ultrapassa no dia a dia, no entanto, basta uma volta à Ilha para perceber que eles estão aí, vieram para ficar e representam mais uma oferta no vasto leque que a região já tem para quem nos visita.

Se é verdade que alguns teleféricos como o da Rocha do Navio em Santana, começaram por ter há 20 anos a função primeira de apoio à agricultura hoje essa realidade é largamente ultrapassada pelo objetivo primordial do turismo.

Há quatro anos esta parte que a câmara de Santana, entidade proprietária e gestora do teleférico, tem desenvolvido um trabalho de acompanhamento exigente daquele equipamento. Basta por exemplo acompanhar a evolução das receitas desde 2012 até 2017.

Em 2012 a receita do mesmo segundo dados da contabilidade da autarquia ficava-se pelos 3mil euros, no ano seguinte nos 5 mil euros, em 2014 - 12 mil euros, em 2015 - 25 mil euros e em 2016 - 33 mil euros. A evolução da receita acompanhou um decréscimo nos custos de manutenção, objetivamente porque as mesmas são realizadas periodicamente o que implica naturalmente menos avarias ou seja mais tempo a operar.

O ano que agora passou foi de facto importante para testar toda esta dinâmica, assim sendo registou-se em 2017 o melhor ano de sempre nas receitas do teleférico, com a fasquia dos 40 mil euros ultrapassada, mais 8 mil euros do que em 2016.

Estes números são o espelho do bom momento que o turismo no nosso país está a passar mas não podem também deixar de significar, como atrás vimos, a constante preocupação com as manutenções mas não só. Apostamos na promoção do teleférico e um desses exemplos para além da pintura do mural alusivo aos 20 anos da Reserva da Rocha do Navio pela artista Olga Drak foi também a parceria com o teleférico das Achadas da Cruz no Porto Moniz, expressa num panfleto informativo sobre os locais da Rocha do Navio e das Achadas.

Talvez este seja mesmo um dos caminhos a seguir, a promoção integrada de todos os teleféricos da Madeira. O turista quer chegue de avião ou de barco, quer fique hospedado num hotel ou numa pensão, deve ter à sua disposição informação promocional de todos os teleféricos existentes na Ilha. Esta é uma oferta singular que nos podemos gabar de a ter como em nenhum outro lugar do país. É uma oferta que exige cuidado e uma rede de partilhas entre teleféricos que realmente funcione. A experiência acumulada por aqueles que andam nos teleféricos há mais tempo juntamente com as novas infraestruturas que aparecem devem, a meu ver, ser capitalizadas, talvez nesta fase, com o impulso da Direcção Regional do Comércio, Industria e Energia, que apesar de ter aqui na região a função fiscalizadora, é talvez a entidade mais capaz de promover algum intercâmbio de conhecimentos entre os teleféricos.

Os teleféricos são equipamentos sensíveis e facilmente mediatizáveis, basta correr alguma coisa menos bem para que os outros teleféricos sofram consequências colaterais.

Tendo a noção disto cabe às entidades gestoras dos mesmos e a quem fiscaliza terem o rigor e a responsabilidade a que ‘andar no ar’ obriga.

Finalmente, o teleférico da Rocha do Navio transportou dez mil, trezentos e quarenta e seis passageiros em 2017. Estes números não representam no entanto, ainda, o total potencial daquele equipamento. Há de facto outras infraestruturas a serem melhoradas como a estrada de acesso e o parque de estacionamento. Basta ver por exemplo que os autocarros estão impossibilitados de para ali se dirigirem o que é um claro entrave a outros tipos de parecerias que o teleférico poderia estabelecer.

Há no entanto a preocupação de manter em excelente estado o que já está feito, por isso mesmo, já este ano o teleférico terá cabos novos.