A herança

2018 é, por iniciativa da Comissão Europeia, o ano, por excelência, em que se irá dar maior enfâse à diversidade e ao diálogo interculturais, destacando a cultura e o património de toda a Europa.

Numa altura, em que cada vez mais se pedem apoios e holofotes para a cultura, nas suas mais distintas interpretações, o surgimento de um momento como este é, de todo, especial.

No entanto, e pese embora me satisfaça que apostemos com uma iniciativa desta índole naquilo que nos caracteriza a todos - a nossa história e a nossa cultura - devo dizer que entendo que cada um de nós pode e dever ser um agente ativo em defesa do nosso património. Natural e espontaneamente.

Há já alguns anos, sou voluntária na então Associação Académica da Universidade da Madeira, hoje Académica da Madeira e é com muito regozijo que tenho assistido à revolução cultural que esta associação tem incutido no nosso quotidiano.

Confesso que, no início, tive alguma dificuldade em perceber se, de facto, os projectos nesta área iriam vingar. Estariam os nossos colegas, às vezes tão desligados deste meio, atentos à nossa herança? Que interesse poderia ter, para jovens estrangeiros, conhecer e dar a conhecer os nossos monumentos?

A verdade é que, página a página, livro a livro, ideia a ideia, éramos cada vez mais.

O tempo nem sempre me deixou participar e envolver tanto quanto queria, mas foi um gosto ser a voz portuguesa dos áudio guias do Colégio dos Jesuítas (que permitem visitas ao espaço autonomamente) ou abordar, no Pátio dos Estudantes e na Revista Et. al (outrora JA), iniciativas como “Um mês, um tema”, “Passaporte Cultural”, “History Tellers”, entre outras. Todas congregadas no “Herança Madeirense”, um programa que envolve comunidade discente, docente e não docente, bem como, antigos alunos da Universidade da Madeira, cuja execução auxilia o desenvolvimento de vários projectos de apoio aos nossos estudantes, como a Bolsa de Alimentação ou a Bolsa Escolar.

O “nosso” “Herança Madeirense”, sempre em constante aperfeiçoamento e crescimento, foi já distinguido com o Prémio Boas Práticas do Associativismo Jovem, pelo Instituto Português do Desporto e da Juventude, pelo Prémio Voluntariado Universitário, do Santander Universidades, com um Louvor da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira e por um outro Louvor da Câmara Municipal do Funchal, o que demonstra o seu valor e (mais!) o empenho dos meus colegas, voluntários, cujo enriquecimento intelectual, pesssoal e académico é visível enquanto consequência deste envolvimento.

Por isso, para os meus colegas e amigos da Académica da Madeira, que não faziam ideia deste meu artigo, o meu humilde reconhecimento e a minha congratulação por estarem um passo à frente naquilo que se refere à história e à cultura regionais, congregando esforços para levar longe o nome da nossa Madeira.

A todos vós, leitores, inspirados pelo “Herança Madeirense”, sejam bem vindos ao Ano Europeu do Património Cultural, enquanto verdadeiros agentes daquilo que de melhor temos: a nossa identidade!