Têm a palavra os militantes

Cada momento e cada fase da nossa vida apresenta-nos desafios diferentes que exigem também formas de atuação distintas, adequadas a cada cenário.

Quando abracei o desafio de me candidatar à liderança do PS Madeira, fi-lo com a mesma vontade com que abracei já outras lutas, mas convicto de que as formas de atuação necessitariam de ser bem ponderadas.

​Mais do que o Futuro de um partido, está em causa o Futuro da nossa Região e de todos os madeirenses, mas importa não esquecermos que cada projeto obedece a etapas específicas, que devem ser respeitadas, sob pena de pervertermos todo o processo.

Uma eleição para a liderança de um partido diz respeito, em primeira instância, aos militantes desse mesmo partido. São os militantes do PS-Madeira que decidirão o rumo que querem para o seu partido e de que forma desejam que este se apresente nos desafios eleitorais futuros.

​São os militantes que escolherão o caminho que querem ver ser trilhado pelo PS Madeira. A eles caberá a enormíssima responsabilidade de decidirem que projeto teremos para apresentar aos madeirenses em 2019 e, só depois de tão importante decisão, dar-se-á a palavra a todo o eleitorado madeirense que sufragará, nas urnas, quem os militantes do PS Madeira quiserem ver como candidato.

Nesta fase de crucial importância, não só para este partido, como para os madeirenses e para a Região Autónoma da Madeira, não faz qualquer sentido que se coloque o foco nos debates entre candidatos à liderança, com o argumento de que deve esclarecer a opinião pública, num degladiar inútil de forças e de argumentos e num propósito claro de devassa do partido em praça pública para gáudio de muitos, principalmente dos nossos governantes regionais, que não conseguem esconder uma clara preocupação com aquela que possa vir a ser a escolha dos militantes do PS Madeira. É destes militantes, e bem, que neste momento tudo depende, inclusivamente a queda, já em 2019, desta Renovação que não trouxe nada de inovação.

Nunca como agora foi tão importante pertencer a este grupo de cerca de dois milhares de pessoas a quem cabe decidir, mais do que uma liderança de um partido, uma alternativa para a governação da Região Autónoma da Madeira. O que está em jogo é demasiado importante para que as manobras de distração nos façam perder o foco e nos levem a nos desviarmos do caminho que queremos para o Partido e para a nossa Região.

Há que respeitar a vontade dos militantes e perceber o importante papel que desempenham, indo ao seu encontro e escutando as suas propostas, as suas recomendações e conselhos. Isso não se consegue com infrutíferas trocas de galhardetes em debates na televisão ou na rádio. Obtém-se no contacto direto com cada uma das pessoas que tem sentido e vivido o PS Madeira por dentro, sem esquecermos ou desvalorizarmos ninguém.

Pouco ou nada me interessam os adjetivos e impropérios a que tenho sido sujeito por abraçar este desafio, interessa-me sim o julgamento que farão os meus camaradas e a resposta que darão ao projeto que lhes apresentei, com humildade e de forma desprendida.

​Todos são importantes e terão o mesmo peso na hora da decisão do que se quer para o PS Madeira, sem egocentrismos, sem excentricidades, sem ressentimentos, como é desejável e expectável em Democracia.

Tenho estado na política sempre privilegiando a proximidade entre quem elege e quem deseja ser eleito e desta vez não poderia ser de outra forma. Não faria sentido ser de outra forma.

Ao contrário do que se veicula, não receio o debate. Quem está há mais de 20 anos na política não receia debates. Quem, desde logo, colocou todas as cartas sobre a mesa, sem truques na manga, sem esconder intenções, não receia debates.

Pelo respeito e admiração que tenho por todos quantos ao meu lado militam neste partido, mas também por consideração aos madeirenses, muitos deles fartos da vulgaridade a que muita vez se tem tentado reduzir algo tão importante como a política, prefiro substituir o debate pela proximidade, pelo diálogo, por trabalho sério e efetivo. É isso que tenho feito sempre e é isso que continuarei a fazer!