A verdadeira esperança

Cada vez mais os partidos políticos vêem-se a braços com a crescente impopularidade, a falta de credibilidade das suas acções, as muitas faltas de transparência, que em última instância fazem cair no descrédito tudo e qualquer pessoa que esteja directamente envolvida na política.

Os últimos dias não foram excepção a estes sentimentos, com a lei do financiamento dos partidos a ser a última grande vergonha nacional. Uma vergonha para todos os partidos, sem excepção.

O caso é demasiado repugnante e com contornos suficientes para um mau argumento de um filme de espiões. Desde as reuniões secretas, às actas inexistentes mas que afinal existiam, mas numa gaveta da qual perderam a chave e a localização, aos partidos políticos referidos por letras e cuja identificação se auto destruía 5 segundos, após a leitura. Como se tudo isto já não fosse ridículo o suficiente, os próprios deputados que aprovaram a lei, quando questionados, afinal só lhe viam defeitos e até nem queriam votar favoravelmente, mas como os portugueses andavam distraídos com as rabanadas e ébrios com os licores, eles tinham a esperança de votar, assobiar para o lado e a coisa passar. Mas não passou.

Sinceramente, não consigo culpar as pessoas pela falta de esperança e confiança na classe política e nos partidos políticos. E quanto mais alto hasteiam a bandeira a apregoar confiança menor a esperança neste tipo de políticos. Há que descobrir a careca a esta gente, sejam os que dão a cara descaradamente, aos caciques que ficam nos bastidores a pressionar os botões.

Não se pode aceitar e continuar a deixar que os políticos eleitos, sempre que são chamados a contas, sempre que são pressionados a assumir a responsabilidade da sua liderança e do que acontece no seu “turno”, no seu mandato, queiram lavar as mãos como Pôncio Pilatos.

Obviamente, ninguém é omnipresente, deixemos isso para Deus, mas por isso é que se delegam funções e responsabilidades. Delegar funções não pode ser só para aliviar as costas do fardo da governação, tem de ser por total confiança e capacidade em quem se delega, não por favorzinhos políticos nem por promessas de apoios e financiamentos. Também ninguém sabe tudo, daí as equipas que se escolhem para serem eleitos, para dirigirem organismos e instituições públicas terem de reflectir sabedoria e adequação às funções que irão desempenhar. Gostar de aviões não nos torna pilotos. Gerir uma aula de zumba não é o mesmo que gerir uma empresa pública. Este clientelismo político choca as pessoas, desilude os eleitores e faz-nos a todos nós, que desempenhamos cargos públicos, eleitos ou nomeados, cair no ridículo, gera desconfiança e cultiva o desinteresse numa cidadania activa e participativa.

Isto não será certamente motivo para deixarmos cair os braços e de lutarmos por uma política clara, sem bastidores obscuros e sem planos maquiavélicos. Há que ter esperança sim, mas nos protagonistas certos, sérios, que não se autopromovem numa autarquia com os olhos postos no governo, que querem apenas colher o que de bom existe nos cargos políticos e fugir das responsabilidades quando o cerco aperta.

Termino este texto com uma mensagem de esperança, num futuro melhor, em melhores representantes e em melhores políticos. A bem de todos nós!