Resoluções de ano novo

Uma semana após a entrada em 2018, quantos de nós já se terão esquecido das resoluções para este novo ano? 

Eu confesso que já me esqueci. Não me lembro de que compromissos assumi comigo mesmo - não sei se o álcool consumido na noite mais longa do ano tem alguma coisa a ver com isso, mas a realidade é que já lá foi -, na verdade, não me recordo se assumi algum.

Cheguei, ao final de 33 anos, à brilhante conclusão de que resoluções de ano novo são para tristes apaixonados pela vida. Nós, os pragmáticos da coisa, percebemos que os próximos 365 dias serão iguais aos anteriores. As mudanças que ocorrem são fruto de um inevitável acidente da vida, não temos controlo sobre nenhuma delas, nem sobre o comer e o beber menos ou o deixar de fumar. Convenhamos, não é por ser 1 de janeiro que o ‘chip’ muda, e se, por acaso, mudasse, tal poderia perfeitamente acontecer a 29 de dezembro.

As resoluções de ano novo são bonitas, é certo, mas, em termos práticos, são iguais às promessas de manutenção do valor do IVA, logo, após o primeira dia do ano, já foram à vida.

 

A SAGA DO GATO

​A notícia que ocupava o espaço online dos jornais madeirenses, ao princípio da tarde desta segunda-feira, era o regresso de um gato a casa após uma saga pelos porões de aviões e terminais de carga dos aeroportos nacionais e internacionais. Como a veia jornalística, que carrego do lado paterno, veio ao de cima, cheguei à fala com o senhor gato. Inicialmente, confesso, a barreira linguística foi difícil de ultrapassar, mas após uns ‘miaus’ para aqui e outros para ali, mais agudos e menos agudos, abanares de cauda e espinha ao alto, relembrei-me dos ensinamentos do eterno candidato ao Nobel, Haruki Murakami, e desenvencilhei-me relativamente bem. Aqui fica o relato em primeira mão, e em exclusivo, da aventura do ‘miau’ (direitos televisivos para uma série da TVI estão disponíveis para venda mediante contacto com o gato, que se apresenta no canto esquerdo).

“Ora bem, meu caro Eduardo, foi uma viagem atribulada. Estava preparado para fazer a hora e trinta de trajeto, como é normal nestes voos da TAP, com destino ao aeroporto do CR7. Já tinha tomado as pastilhas de enjoo e o calmante, não sei se sabes, mas tenho cá um pavor de viajar de avião! Andar em cima de varandins a fazer equilibrismo sobre um abismo, tudo bem, agora, aviões é que não! O efeito das pastilhas começou a passar e, meio atordoado, vi que estava num sítio que não era muito normal, porém, não me importei, afinal de contas, com o vento que habitualmente se faz sentir, pensei que tínhamos sido desviados para o Porto Santo. Qual quê... Estava nas Maldivas!! Não conseguia acreditar... Uma casa de banho enorme, areia daquela branca, finíssima, a água quentinha, um espetáculo! Saí daquela jaula e, mal meti o pé em solo paradisíaco, dei de focinho com uma que gata persa, mas que gata!! A cauda abanava de um lado para o outro... fiquei apaixonado! Mas não consegui nem o número de telefone, nem whatsapp, Instagram, Facebook, nada... Fui logo agarrado e jogado para dentro da jaula. Voltei para Lisboa, e ainda tentei fugir outra vez, sem êxito...”

Mas não está contente por estar de volta? - perguntei.

“É sempre bom voltar a casa, mas aquela cauda...”

 

ERMO – ‘LO-FI MODA’, EXPANDIR FRONTEIRAS

Sinto que cheguei tarde à festa. ‘Lo-fi Moda’ é o álbum português mais interessante de 2017, aliás, é o disco mais intrigante da música portuguesa nos últimos anos. Em nove canções temos a sensação de que o País está na linha da frente em termos musicais. A mistura de eletrónica asiática,com o ‘glitch’ típico do ‘underground’ britânico, a que se junta o hip-hop americano cantado na língua de Camões, faz com que ‘Lo-fi Moda’ seja, acima de tudo, um álbum universal e, no fim, um verdadeiro hino às múltiplas faces de um panorama musical que tem vindo a expandir, cada vez mais, as fronteiras.