A Dona Celeste da Quinta do Conde do Arco da Calheta

Hoje quero prestar a minha homenagem a uma simples e grande mulher, a dona Celeste Teixeira, proprietária da Quinta do Conde no Arco da Calheta.

 

Para aqueles que não conheceram a D. Celeste Teixeira aqui fica um pequeno apontamento.

Foi uma emigrante na África do Sul e que regressou à Madeira para dedicar-se à sua Quinta em diversas áreas: no turismo rural, na agricultura biológica, na gastronomia e na dedicação às flores e árvores de diferentes espécies.

A Quinta do Conde da Bella Vista fica localizada na encosta sul da freguesia do Arco da Calheta com uma belíssima vista sobre o oceano Atlântico. Muitos madeirenses e estrangeiros conhecem-na muito bem por diversas razões. Uns porque visitaram a Quinta, outros porque realizaram filmagens, e outros ainda a conhecem pelos famosos bolos que a Dona Celeste fazia. De facto, o visitante da Quinta tinha de provar o famoso bolo. Sempre que lá fui, o ritual era sempre o mesmo.

Outro dos aspetos refere-se ao facto de a Dona Celeste dedicar-se aos pobres de uma forma simples e discreta. Tinha um coração grande e fez da sua vida uma partilha constante. Sempre que havia na freguesia alguma festa religiosa, levava bolos para compartir, e este gesto é muito reconhecido pelas a gentes do Arco da Calheta.

A Quinta da D. Celeste foi um lugar de encontro e de partilha de muitos grupos organizados que a Dona Celeste disponibilizava. Também há lá uma capela onde foram realizados batismos e casamentos que terminavam com a partilha do famoso bolo biológico oferecido pela Dona Celeste.

No passado dia 5 de janeiro, fui apanho de surpresa com a notícia do falecimento da Dona Celeste Teixeira. Pela última vez, no seu perfil no Facebook e através de um vídeo, desejou um feliz ano novo 2018 de uma forma ímpar e cativante, ao toque de um pífaro e rodeada de seus famosos bolos, pois estava à espera das visitas, frequentes nessa altura do ano.

Dona Celeste, viveste uma existência simples e dedicada, pois marcaste os corações de muitas das gentes de cá e de lá, de um forma singela e bela. Contemplaste e viveste em harmonia com a natureza na Quinta do Conde e fora dela, e muito nos ensinaste com as sábias palavras dos calos da vida.

Resta dizer um muito obrigado pela muitas horas de partilha e de saber vivido e alegria de vida transmitida.

Fica na minha memória a tua alegria, o teu entusiasmo, o teu empenho e dedicação ao outro.