O tempo mudou

A chuva cai lá fora, o vento sopra forte, a temperatura desce, dizem-me que poderá cair neve na serra. Estamos em Janeiro, é este o tempo que se espera neste tempo em que o tempo anda louco. São as incertezas que nos lançam as dúvidas, que nos levam a tomar decisões, por vezes nem sempre as mais acertadas. Por vezes parece-nos que vai dar sol e, a chuva ao meio da tarde, faz-nos lembrar aquele conselho matinal que nos dizia que seria melhor levar o guarda-chuva, pois este tempo anda louco.

São as tais decisões nas incertezas, perante o que nos parece óbvio e natural, que o caminho que nos é apresentado à frente é o que se segue. Deixámos de olhar para o lado à procura do cruzamento ou do entroncamento, onde poderá estar um outro caminho, um caminho que poderá até ser mais sinuoso, mais íngreme, mas aquele que nos levará ao nosso destino.

Em 2015, após umas eleições regionais que correram francamente mal ao PS e, com a inevitável demissão do líder de então, aparece-nos com a maior das naturalidades Carlos Pereira como candidato à liderança do PS-M. Era o candidato óbvio, natural, era o caminho que nos era apresentado à frente. Era o seu tempo.

Mas a incerteza pairava no ar. Duvidei, questionei-me se seria esse o caminho que o PS-M deveria seguir. Uma conversa aqui, uma reunião ali, conversas e mais reuniões e a decisão foi tomada. Cegamente talvez, não quisemos procurar os cruzamentos, ou os entroncamentos. Foi o seu tempo.

Não levei o guarda-chuva, acreditei no sol, quando os sinais eram de chuva. Confiamos em alguém que chamou a si a responsabilidade de escrever sozinho o programa que foi sufragado e que ficou manchado pela tal derrota, que nas suas palavras, atirou o partido para a lama. Era o número 2, mas os 30’s os 40´s dessa lista, muito mais fizeram do que ele para que o resultado fosse outro. Recusou-se a subir palcos, mas era o número 2. O seu lugar estava assegurado. Foi o negociador dos termos da coligação, das posições nas listas, a tal negociação que ditou a saída do BE, privilegiando outros partidos. Enfim, o tempo era de chuva e acreditamos no sol.

Mas o tempo ensina-nos, leva-nos a procurar melhor os sinais que vão aparecendo e, não será por haver algum momento em que o sol desponta entre as nuvens, que não deixarei de olhar mais além, na espera do tempo de que o tempo realmente mudará.

Se nas questões do tempo, nada podemos fazer para mudar, por cá na terra, podemos. Agora é esse o tempo. O tempo em que temos nas nossas mãos, nas mãos das e dos militantes do PS, o poder para mudar o caminho, seguir o entroncamento, talvez por um caminho menos natural, mas o caminho que nos levará ao nosso destino. Chega de adorar um Rei-Sol, alguém que se acha como o único capaz. Vamos virar à esquerda, no próximo entroncamento do dia 19, vamos escolher aqueles que são vencedores, aqueles que todas e todos querem para, em 2019, realmente mudar a vida dos madeirenses, sempre Pelas Pessoas, com o Emanuel, com o Paulo, juntos até ao fim. JM