A hipocrisia do discurso de quem critica e nada faz

No último dia do Debate sobre o Orçamento da Região para 2023 na Assembleia Legislativa, ouvimos um discurso realmente hipócrita por parte daqueles que já nos têm habituado a tal, neste caso o Partido Socialista, ainda que desta vez tenha estranhado a pergunta feita, de viva voz, por um dos seus elementos, sobre a integração social daqueles que regressam à Madeira, dirigindo-se à Secretária Regional da Inclusão e Cidadania.

A pergunta incidiu, assim, sobre qual teria sido a estratégia do Governo Regional, nestes anos, relativamente ao regresso de Madeirenses e Lusodescendentes à Região. De facto, e para além da hipocrisia, é preciso ter um grande desplante para fazer esta pergunta, tanto mais quando sabemos que este Partido não mexeu uma palha para ajudar neste regresso e, pelo contrário, prejudicou – e muito – o dia-a-dia de quem decidiu regressar.

Na altura do debate achei necessário dar uma resposta, porque não podemos deixar este discurso hipócrita no ar e porque temos de ser sérios e verdadeiros, combatendo, em todas as circunstâncias, a demagogia e a mentira descarada que tão bem caracterizam a forma de estar deste Partido.

Por acaso não repararam que mais de dois mil e duzentos alunos entraram nas escolas da Região, sobretudo no Sistema de Ensino Público? Não sabem que, no Sistema Regional de Saúde, já foram registados mais de dez mil Madeirenses e descendentes regressados da Venezuela ou andam assim tão distraídos que não são capazes de perceber a quantidade de investimentos que hoje existem na Madeira como consequência positiva deste regresso?

E, já agora, é caso para questionar o tem feito o Governo da República, Socialista, pelos que têm regressado? Em primeiro lugar, temos a marca discriminatória deste Governo nacional: o Programa “Regressar”, criado a nível nacional em 2019, continua a não abranger as Regiões Autónomas no que diz respeito ao emprego e, por consequência, aos custos das viagens de quem quer regressar e tem um programa de financiamento que não funciona há dois anos e meio.

Em segundo lugar, continuamos a confrontar-nos com o problema das equivalências dos cursos académicos, uma das grandes problemáticas de quem regressa, mas que não tem contado com o empenhamento e a capacidade de resposta do Governo da República. Veja-se, por exemplo, a pouca vergonha que tem acontecido no que respeita aos médicos portugueses formados fora da Europa, que não podem exercer no seu País, empurrando-se o problema para as Ordens Profissionais, para as Universidades, quando quem governa e tem capacidade de resolver a questão nada faz.

Em terceiro lugar, veja-se o inaceitável atraso na atribuição da nacionalidade para filhos de portugueses e cônjuges casados com portugueses, com serviços nacionais que continuam a não dar resposta e que também atrasam a vida de aqueles que chegam a Madeira e ficam à espera da sua documentação.

São estas, em suma, as grandes diferenças entre o PPD/PSD e o resto. Temos um Governo Regional que, em 2016, preparou o regresso de milhares de pessoas e estava pronto a recebê-las com responsabilidade.

Um Governo Regional que nunca esqueceu ninguém e que acolheu prontamente todos aqueles que regressaram num momento difícil em que fomos obrigados a sair por causa do socialismo venezuelano.

Não podemos deixar passar este discurso hipócrita de quem fala na perda demográfica da Região, mas não valoriza as mais de 12 mil pessoas que regressaram e foram integradas, sabendo-se que nada fizeram nem fazem para ajudar.

Fica evidente que de um lado estamos nós e, do outro lado, o que existe é um discurso hipócrita que é cada vez mais penalizado por aqueles que sofrem na pele os embates do poder central que as senhoras e os senhores da esquerda cor-de-rosa madeirense defendem.