As duas respostas!

"Tem qualquer tipo de processo judicial, contraordenacional ou disciplinar pendente em que esteja direta ou indiretamente (envolvendo algum dos membros do seu agregado familiar) envolvida/o?"; "Tem conhecimento de que seja objeto de investigação criminal qualquer situação em que, direta ou indiretamente, tenha estado envolvido?"

Estas são as questões que Cafôfo terá mais dificuldade em responder, das 36 incluídas no questionário estabelecido por Costa, no sentido de aliviar a pressão da catadupa de escândalos e demissões que maculam o seu Governo. Isto se, como insiste o Presidente Marcelo, o questionário se aplicar aos atuais governantes. Não há como não, até porque em nova remodelação, passa a existir iniquidade de obrigações. (Se está tudo transparente, qual o medo preencher já o inquérito?). Especulemos como responderá Cafôfo às já famosas perguntas 32 e 33: Limitar-se-á a um seco, duplo (um duplo-seco), porém honesto "sim"? Enveredará por um cínico, e fugidio "Não tenho conhecimento formal de qualquer umas das situações", mesmo depois de entrarem pela Câmara e sede do PS/M a dentro? Optará por um Lynchiniano: "Viva o Marítimo"? Ou por um Kafkiano "Tá de chuva, não está?"? Em breve o mistério se dissipará. Mais divertida é a retórica que "as perguntas não são eliminatórias… são meramente informativas". Ora bolas, que reação deve ter um chefe de Governo que lê uma resposta a afirmar com clareza "Sim, sou suspeito de um ou mais processos de corrupção, onde alegadamente terei utilizado dinheiros público numa placa giratória para, de novo alegadamente, financiamento partidário, pagamento de favores, entre outras boa-venturanças!"? Deve pensar para si "Muito bem, cá está o perfil de governante que o meu executivo precisa para ter estabilidade, e que Portugal exige na persecução do interesse público!" É isto?

Penso que deve existir uma atitude mais séria na abordagem a um tema que, não sendo novo, terá matéria relevante que justifica a sua manutenção, 2 anos após as buscas à sede do PS, a Câmaras Municipais e residências particulares. Porque por vezes no nosso país, o MP, nem sempre da melhor forma, arrasta um processo pois tem a firme convicção da culpabilidade, mas quando não tem meios validados para o provar. Recorde-se que, em notícia de 6 de dezembro de 2021, o DN/M afirmava que, em documento oficial, constava a informação de que o DCIAP detinha correspondência alegadamente comprometedora, mas vetada pela Juíza de instrução por ter sido supostamente obtida irregularmente, portanto inutilizável. Os frequentes erros processuais que não deixam os suspeitos defenderem-se, como é o seu direito, mas que também "safam" muitos prevaricadores.

Na verdade este inquério é uma piada, uma humilhação! OS ministros e SE deveriam ser a nata da sociedade, à margem destas brincadeiras. Observando apenas os últimos 20 anos, alguém imagina Álvaro Barreto; Bagão Félix, Graça Carvalho ou o embaixador António Monteiro, do também polémico governo de Santana Lopes a submeterem-se a tamanha vexação? Ou Severiano Teixeira, Campos e Cunha ou mesmo Freitas do Amaral, do mal-amado governo Sócrates?

Talvez o problema seja esse, Costa rodeou-se de "inquiríveis". No seu Governo apenas o Prof. Costa e Silva e, vá lá, Elvira Fortunato, sentir-se-iam insultados por preencher tamanha infâmia. Mas se existe, deve ser aplicado. A todos. Como vai responder Cafôfo às duas perguntas?