Preservar tradições

Com o andar do tempo nem sempre é fácil preservar e passar às novas gerações o património que é de todos nós.

Há memórias e tradições que se vão perdendo com o tempo.

Há, no entanto, em toda a região grupos, entidades e até particulares que se preocupam em preservar e mostrar como era a realidade de outros tempos.

Em Santana há bons exemplos. Destaco aqui o trabalho desenvolvido pelo grupo Lírios do Norte que no final do ano passado assinalou mais um aniversário. São mais de três décadas de uma Associação Cultural que muito se tem preocupado com a preservação das memórias de outros tempos.

O grupo não é apenas folclore, desenvolve também muito trabalho de preservação das tradições madeirenses através das suas recriações.

São vários os trabalhos publicados sobretudo em vídeo que abordam temas que vão da gastronomia até à forma como eram desenvolvidas determinadas atividades relacionadas com a vida no campo.

Os “Tormentos do linho” é um desses trabalhos. Houve a preocupação de recrear e guardar para memória futura todos os passos desde a plantação do linho até à sua utilização para a confecção de roupa.

“Roupa antiga”  é outra das recreações que merece ser apreciada.

Antigamente sobretudo nas zonas rurais a roupa usada no dia-a-dia e para dias mais especiais era toda feita em casa ou em costureiras locais.

Os tecidos eram comprados aos “adelos” vendedores ambulantes que passavam pelos sítios com várias peças em bruto que eram vendidos a metro.

Após adquiridos os tecidos eram levados à costureira, ou em muitos casos transformados em casa em roupa para os mais variados usos. Nesse tempo em quase todas as casas havia uma máquina de costura e alguém que jeito para a costura.

O grupo “Lírios do Norte” recriou este processo todo onde incluiu também a lavagem da roupa na ribeira ou nos antigos lavadouros públicos que existiam um pouco por toda a freguesia de Santana. O transporte à cabeça, a utilização do anil a secagem ao sol e passagem a ferro com brasas não foram esquecidos.

Neste trabalho destaque ainda para a estreia da roupa nova, normalmente na principal festa no verão e consequente “passeio” na procissão.

O “Ciclo do Vinho” é outro dos trabalhos. A cultura da vinha pelo menos da forma como era feita há mais de 30 anos era totalmente diferente do que acontece agora.

O grupo recorda o processo da poda da vinha, do levantar das parreiras quando as uvas começavam a “vingar” e naturalmente todo o processo relacionado com a vindima. As uvas eram transportadas às costas por vezes de distâncias consideráveis em cestos feitos com vimes.

Seguia-se a pisa com pés descalços e o transporte do “mosto” em “borrachos” feitos com pele de cabra.

O pão caseiro também não foi esquecido. Desde a apanha do trigo até ao moinho e sua confecção são passos retratados pelo grupo.

São vários os trabalhos realizados pela Associação Lírios do Norte que vale a pena observar.

Ali está espelhado de forma muito fiel àquilo que foram vivências de outros tempos.

Para além destes trabalhos esta associação também lançou recentemente um trabalho discográfico designado “Vivências de um Povo”.

Porque o presente e o futuro também se constroem olhando para o passado, fica o registo de alguém que se preocupa em deixar para quem se segue as vivências de outros tempos.

Vale a pena continuar.