Para b(lo)om entendedor…

Tanta vez ouvi que vivíamos num cantinho do céu. E que a Madeira era um jardim… Eu já sabia que algum dia ia dar para o torto! Só podia. Era muito “olhado roxo”. Prova disso, e segundo a PSP, só no mês de novembro, foram identificadas 20 pessoas por suspeitas de furtos e roubos! Atendendo a que somos cerca de 250 mil, 20 é coisa pouca… O problema é que dessas, apenas 10 foram detidas. As outras tantas? Continuam por aí, na luta. Que o dinheiro não cai do céu. Coitados. 

Ainda por cima, tal como em muitas outras áreas, a concorrência é feroz. Há cada vez mais profissionais qualificados para menos oportunidades de emprego…. Tanto é que, um tipo aí com uns 25 anos, recém-formado, portanto, tentou assaltar a mesma loja pela 5.ª vez em 40 dias! A primeira vez levou 2 mil euros em bijuteria. Nada mau. Antes pelo contrário. Para primeiro “caruncho” foi muito bom. Na segunda? Na segunda já foram só 500 em relógios. Na terceira, uns “piercings”. Na quarta, de quinta para sexta, tentou, mas não deu. Agendou o regresso para domingo. Ou melhor, já segunda…. Aí sim, com ferramentas indicadas, entrou ao serviço. Só que a montra estava vazia! Azar. Tanto trabalho para nada…. Imagino a revolta! Um fulano aceita fazer horas extra. Assume o turno da noite. Desloca-se pelos seus próprios meios. E, no final, volta de mãos a abanar?! Não é justo. Peço ao patrão deste senhor que se ponha no lugar dele. Deixe, ao menos, um furinho nas orelhas pago. Ou no nariz. No mamilo. No joelho, vá… Mas deixe!

É que, à espera de justiça, pode ter a certeza que vai haver 6.ª, 7.ª, 8.ª e 9.ª vez… Por mais que afirme que “a polícia tem sido impecável. Eles são rápidos, eles fazem um bom trabalho, mas não está nas mãos deles”. Ou que desabafe que “o assaltante vai a tribunal e fica em liberdade e enquanto a lei não mudar vamos continuar a assistir a esta onda de criminalidade”. Ora bem, vamos por partes: 1) eles são rápidos e fazem um bom trabalho? Eles quem? Os polícias ou os ladrões? 2) o assaltante vai a tribunal, ponto e vírgula. Há deles que até já nem vão. Ou bem trabalhar, ou bem perder tempo a ir ao juiz… 3) enquanto a lei não mudar? Mas qual lei? Eu bem sei que não sou grande entendido na matéria, mas furto simples, furto qualificado e roubo não são puníveis?! Ia jurar que sim… Mas também é o que dá abrir exceções! Facilitam com um Sócrates hoje. Um Salgado amanhã. A certa altura uma pessoa já não sabe se realmente pode ou não roubar. Por mim, tudo bem… Mas depois não se queixem.

Por falar em queixumes e malandros, há dias vinha a sair do parque de estacionamento da minha terra adoptiva e comecei a ouvir vozes. “Pedro”. “Pedro”. Olhei para cima e nada. Para os lados. Zero. Estaria a ter alucinações?! “Pedro, já te conheço de costas”. Ehlá. Alto lá. Olhei logo para trás. Era o Diba. “Ah rapaz. Vê como é que falas. Já me conheces de trás? Estás-me a estranhar?”. Pediu desculpa e, embalado nos pedidos, saiu-se com o habitual “podes ajudar-me?”. “Posso amigo. O que precisas?”. “Não comi nada”, disse ele. Meti a mão no bolso e prometi dividir o que de lá tirasse… Contas feitas, segui caminho. Sempre com o Diba atrás (salvo seja) que, desgostoso, ainda fez questão de se queixar do custo de vida. Dizia ele que até a droga estava mais cara. À custa da inflação, o que antes comprava a 2, agora já só consegue a 5! Levou um sermão e jurou (a fazer figas, aposto) que ia “deixar essa vida e ir ter com a irmã a Inglaterra”. Nisto, estávamos a passar à porta da tabacaria e decidi jogar no Euromilhões. É que nunca se sabe se Deus Nosso Senhor não tem planos maiores para nós. Porém, assim que o Diba viu o que eu ia fazer, reprimiu-me… “Não faças isso. Não jogues. Muito dinheiro faz mal à cabeça!”. Encolhi os ombros ao mesmo tempo que pensava na lata do Diba. “E depois? Como é que eu te vou dar, se eu não tiver também?”. “Tens razão. Joga Pedro. Boa sorte. Tu mereces!”. Espertinho, não?

Mas como o Diba há muitos. Então não é que, por São Roque, também há uma senhora que costuma andar em top less pela rua? Há sim. No entanto, se fosse só isso, ainda estou como o outro… Mas o problema é que ela esbraceja e circula sem rumo. Por mais que não estejamos no Catar, não me parece bonito que uma senhora se apresente assim alterada. Para isso já nos basta a que temos em casa! 

Mas não se pense que isto é só no lar dos outros. No Funchal também não faltam senhores desorientados. Uns dizem que injetam fertilizantes. Outros parece que cheiram adubo! A solução? Essa já está encontrada. “Internamento compulsivo” e acabou. E não fui eu que o disse. Foi o senhor Presidente do Governo. Sim, sim. O mesmo que já avisou, umas 20 vezes, que não tem medo de tomar decisões. Pelo sim, pelo não, é melhor porem-se a pau. Se ele já foi capaz de fechar em casa, 15 dias, quem tinha um vírus no lombo, o que não fará com quem aparenta ter um diabo no corpo? 3 meses nas Desertas? 4 nas Selvagens? 5 a contar bitcoins? Não sei.

Seja o que Deus Nosso Senhor Albuquerque quiser…