Direitos Humanos e o Mundial 2022

A questão dos direitos humanos tem sido tema nestas últimas semanas, enquanto o país e, de certa forma, o mundo, se encontra em suspenso derivado ao Mundial de Futebol do Qatar. Enquanto os olhos dos media e até das principais figuras do Estado Português se encontram virados para a Seleção Nacional, surgem-nos histórias sobre ilegalidades e exploração dos direitos humanos. Posto isto, e enquanto apontamos o dedo ao Qatar em termos de direitos humanos e de condições horrendas de trabalho, seremos (nós) ou não hipócritas?

Sejamos realistas: não faz qualquer sentido criticarmos o Estado e o regime político do Qatar, numa altura em que também temos questões por resolver em Portugal. Um exemplo muito recente – que reflete a exploração de direitos humanos - foi a megaoperação no Alentejo em que a PJ deteve várias pessoas que, alegadamente, escravizavam trabalhadores estrangeiros.

Contudo, a situação do Qatar, comparativamente com Portugal, é excessiva e extremista, evidentemente. A discriminação das mulheres, dos LGBT, a falta de liberdade da imprensa e a exploração dos trabalhadores que (por exemplo) construíram as infraestruturas para o mundial - exploração esta que se traduziu em mortalidade – são atos ditatoriais e de uma extrema desumanidade. 

Sim, a simpatia humanitária em relação aos países ocidentais é muito bem-vinda. Todos os países em que não haja respeito pelos direitos humanos, devemos lutar contra! Mas tenhamos os pés bem assentes na Terra. Não somos melhores que ninguém. A nível nacional, europeu e até mundial, o desrespeito sobre as condições humanas – embora não seja tão notório e extremista - é cada vez maior. E é necessário um compromisso de luta por mais e melhor enquanto ser humano!

Não fugindo ao tema, a verdade, nua e crua, é esta: neste momento, as pessoas estão-se nas tintas para os problemas sobre os direitos humanos no Qatar! O que querem é ver o futebol. Seguiram os conselhos dos nossos Governantes e esqueceram o assunto, mantendo o foco na Seleção Nacional!

Efetivamente, o campeonato do mundo de futebol tem mobilizado todas as atenções dos portugueses e dos cidadãos do mundo. Crianças, jovens e adultos juntam-se em massa para assistir aos jogos, agarrados à bandeira portuguesa, apoiando o nosso Cristiano Ronaldo e apelando à vitória. Na televisão, só transmitem futebol. E a seguir ao futebol, os debates sobre o jogo, as entrevistas aos jogadores, as opiniões, os comentários… são horas e horas de transmissão sobre o mundial. Mais nada existe. O mundo pára para ver o futebol! E é compreensível, os portugueses sonham com a conquista do Mundial.

Aos olhos de muitos, Portugal evoluiu e conquistou nestes últimos anos um lugar nos favoritos ao título mundial. Os resultados consistentes, uma equipa repleta de qualidade e com aquele que é considerado o melhor jogador do mundo… são tudo razões que apontam a nossa Seleção como uma das candidatas à conquista do Mundial.

E este é o Mundial mais polémico de sempre. O mundo está em jogo, dentro e fora das quatro linhas. Dos 32 países participantes, Portugal é o país com mais craques políticos na Qatar! Mas atenção: a presença dos nossos políticos nos jogos da Seleção representa o apoio ao nosso país, que veste a nossa bandeira, e não qualquer cumplicidade com a sua política ou pela violação dos direitos humanos vivenciados no Qatar.

Dia 6 de dezembro, a Seleção Nacional jogará contra a Suíça. Portugueses e helvéticos vão medir forças. Viva Portugal!